Motorista paga por briga do MST

Sem-terra fecharam 8 rodovias no RS em protesto contra violência da polícia em desocupação

Sandra Hahn, O Estadao de S.Paulo

06 de março de 2008 | 00h00

Manifestantes da Via Campesina e do Movimento dos Sem-Terra (MST) bloquearam, no começo da manhã de ontem, oito trechos de estradas no Rio Grande do Sul. Elas só foram liberadas à tarde. Os atos foram realizados em protesto "contra a violência da Brigada Militar" na desocupação da Fazenda Tarumã, realizada terça-feira em Rosário do Sul (RS). Houve conflito e a brigada usou balas de borracha na operação, que resultou na prisão de Irma Maria Ostrovski, uma das líderes.O delegado Othelo Saldanha Caiaffo, da Polícia Civil em Santana do Livramento, que registrou o caso, disse que Irma foi autuada por invasão com violência, desacato a autoridade, lesão corporal e formação de quadrilha. De acordo com o MST, ela obteve ordem de soltura, que deve ser cumprida hoje. O delegado, que terá 30 dias para concluir o inquérito, previu o indiciamento de outras integrantes do movimento pelos mesmos delitos, exceto lesão corporal - restrito a Irma, que segundo ele teria desferido um golpe de foice no coronel da Brigada Militar Lauro Binsfeld. Depois da desocupação da fazenda em Rosário do Sul, as cerca de 500 mulheres que participaram da ação foram levadas à vizinha Santana do Livramento, já que a delegacia teria melhores condições de fazer o registro. Como as manifestantes estavam sem água e comida, o ouvidor-geral de Segurança Pública, Adão Paiani, negociou o transporte do grupo para um ginásio, onde, de acordo com o delegado, pernoitaram e receberam alimentação. A coordenação do MST afirmou que cerca de 50 mulheres realizaram exame de corpo de delito e uma delas deve entregar hoje protesto contra a ação da Brigada Militar ao Ministério da Justiça e à Secretaria Especial de Direitos Humanos. O coronel Paulo Mendes, subcomandante da força, afirmou que "duas ou três" mulheres foram atingidas por balas de borracha durante a operação de reintegração de posse da fazenda. "A única violência que reconhecemos é contra o coronel Binsfeld", disse Mendes. "O resto é uso legítimo de força policial." Ele ainda ressaltou que a brigada fez uso de armas não-letais para cumprir a reintegração de posse. A Fazenda Tarumã, da sueco-finlandesa Stora Enso, tem 2.075 hectares e havia sido invadida na madrugada de terça-feira. A área foi ocupada em protesto contra o plantio de florestas de eucalipto na região e os projetos que tramitam no Congresso propondo a redução da faixa de fronteira no Brasil de 150 quilômetros para 50 quilômetros. A Via Campesina entende que a presença da Stora Enso em municípios como Rosário do Sul, localizados na faixa de fronteira, é ilegal. O grupo sueco-finlandês registrou as terras que adquiriu na região em nome da Azenglever Agropecuária, constituída por sócios brasileiros, e vai incorporar a empresa quando receber autorização do Conselho de Defesa Nacional (CDN) para assumir a titularidade das propriedades rurais.

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