Motorista de deputado recebeu dinheiro de megatraficante

A Polícia Federal reuniu indícios de que pelo menos três pessoas supostamente ligadas ao deputado Pinheiro Landim (PMDB-CE) receberam no ano passado dinheiro do traficante Leonardo Dias Mendonça. Na conta bancária do motorista do parlamentar, José Antônio de Souza, foram depositados R$ 60 mil.Além disso, Suzane Pinheiro Gondim e Luiz Sérgio Terra tiveram promessa de ganhar do traficante R$ 30 mil e R$ 20 mil respectivamente. Os policiais ainda não conseguiram identificar quem são Suzane e Terra, mas sabe que ambos têm ligação com Landim ? que, em conversas telefônicas gravadas com autorização judicial, aparece aparentemente negociando a obtenção de habeas-corpus em favor do traficante.O interlocutor é Antônio Carlos Ramos, preso na segunda-feira em Goiânia, acusado de pertencer à quadrilha de Mendonça, também conhecido por Léo. Outra mulher que ainda não foi plenamente identificada é Zuleide Pinheiro, que, nos diálogos gravados, cobra um dinheiro prometido para Suzane. A conversa é com Luiz Antônio Gonçalves de Abreu, secretário de Mendonça preso no início da semana em Goiânia.?Ah, meu Deus, alegria de pobre dura pouco?, reclama Zuleide ao seu interlocutor, depois de ter sido avisado de que o dinheiro ainda não tinha sido enviado. Em outra conversa gravada pela Polícia Federal, é o próprio Landim quem aparece fazendo cobranças de Francisco Olímpio da Silveira, um dos parceiros de Mendonça, ?sobre aquele assunto? ? sem falar em dinheiro, mas ressaltando que estava à espera de algo.O parlamentar, segundo disse ao interlocutor, tinha conversado anteriormente com Zuleide, de quem recebera a informação que o ?assunto? não havia chegado. A conversa de Landim com Olímpio ? preso na PF de Goiás ? se deu em março, no mesmo dia em que Mendonça ligou para seu secretário Gonçalves de Abreu solicitando que fizesse os depósitos em favor de Terra e Suzane.Coincidentemente, a agência bancária de ambas era a mesma, embora as contas fossem distintas. No caso dos depósitos feitos para o motorista do deputado, eles teriam sido feitos na agência do Bradesco, na quadra 504 Norte, em Brasília, próximo à residência de Landim, onde Gonçalves de Abreu colocou R$ 30 mil.Enquanto um doleiro de Goiás fez outro depósito de R$ 30 mil na agência da Caixa Econômica Federal (CEF), na Câmara dos Deputados.Durante as investigações, apareceram novos indícios de que o deputado Pinheiro Landim pode ter intermediado, ou tentou fazê-lo, na concessão de habeas-corpus para Dias Mendonça. Um diálogo entre o parlamentar e Antônio Carlos, mostra que Landim seria, ou se fazia ser, bem relacionado junto às cortes. Nas conversas, o integrante do grupo de Léo afirma que o ?Cara? fica pressionando, talvez se referindo ao próprio traficante, que estaria aguardando a liberdade, por meio do recurso.Landim, segundo as gravações, responde que na mesma reunião havia outros assuntos, parecidos com aquele. Referia-se, segundo avaliação de investigadores, ao fato de haver outros processos sobre tráfico de drogas. Se fossem negados os recursos, o caminho do habeas-corpus impetrado por Léo teria o mesmo fim.Nesta quarta-feira, o deputado não retornou às ligações, mas seu advogado, Luiz Alexandre Rassi, comentou que o parlamentar desconhece o caso, mas pode ter tido seu nome usado indenvidamente por outras pessoas.O processo, que já corre em sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF), foi encaminhado ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que poderá pedir novas diligências, arquivá-lo, ou até mesmo já apresentar denúncia contra as pessoas citadas, entre elas um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), dois desembargadores do Tribunal Regional Federal (TRF) e duas juízas. O presidente em exercício do STJ, ministro Edson Vidigal, não quís comentar o assunto.

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