Divulgação/MST
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Motorista atropela manifestantes e mata idoso integrante do MST em Valinhos

Manifestante de 72 anos morreu e outras cinco pessoas, entre elas um jornalista que cobria o ato, ficaram feridas

José Maria Tomazela , O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2019 | 12h34
Atualizado 18 de julho de 2019 | 21h49

SOROCABA – Um motorista avançou com uma caminhonete contra integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) durante uma manifestação nesta quinta-feira, 18, em uma estrada rural de Valinhos, interior de São Paulo. Um manifestante de 72 anos morreu e outras cinco pessoas, entre elas um jornalista que cobria o ato, ficaram feridos. O motorista acelerou e fugiu após o atropelamento. À tarde, no entanto, a Polícia Civil prendeu o motorista, mas não divulgou informações sobre o caso. Até a publicação deste texto, ele permanecia detido.

O crime aconteceu na ocupação Marielle Vive!, na Estrada dos Jequitibás, zona rural do município. Os moradores do acampamento reivindicavam água, saúde e escola, entregando folhetos a quem passava pelo local. 

De acordo com o advogado dos acampados, Alfredo Bonardo, cerca de 40 pessoas estavam sobre a pista para a panfletagem, quando a caminhonete se aproximou pela contramão e o motorista acelerou o veículo contra o grupo. Segundo Bonardo, alguns acampados fizeram menção de segurar o veículo, mas o motorista teria mostrado uma arma.

O idoso foi levado de ambulância para a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Valinhos, mas não resistiu aos ferimentos. O jornalista Carlos Felipe Tavares, do Coletivo Socializado Saberes, que trabalhava para o MST e usava uma câmera na cobertura do ato, também foi levado para a UPA – ele passou por exames e ficou em observação. Outros quatro manifestantes tiveram ferimentos leves e foram atendidos no local.

De acordo com o presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos (Condepe), Dimitri Sales, que acompanha o caso, o homem detido pela Polícia Civil teria admitido o atropelamento e não seria ligado à área ocupada pelos assentados. Essas informações, no entanto, não foram confirmadas pela polícia. 

Em nota, o MST confirmou a morte de um manifestante, identificado apenas como “senhor Luiz” e repudiou o ataque. “A manifestação tinha como objetivo pressionar a prefeitura de Valinhos para garantir o fornecimento de água. As famílias também lutam pelo direito à terra e à realização da reforma agrária”, diz o texto. Informa, ainda, que o acampamento Marielle Vive! conta com mais de mil famílias e existe desde o dia 14 de abril de 2018, após uma ocupação na Fazenda Eldorado Empreendimentos Ltda. “As famílias exigem a punição imediata a este assassino, que age sob o clima de terror contra os movimentos populares”, diz a nota.

A reportagem entrou em contato com a prefeitura de Valinhos, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

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