Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Mostrem o banco, mostrem a conta e essa farsa ficará desmascarada', rebate Aécio

Senador tucano se defende de acusações publicadas por revista de que se beneficiou de esquema de propina com construção da Cidade Administrativa em Minas, na tribuna do Senado

Erich Decat e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2017 | 17h24

BRASÍLIA - O presidente do PSDB, senador Aécio Neves, recorreu à tribuna do Senado na tarde desta terça-feira, 4, para reafirmar que não possui conta no exterior que tenha sido irrigada com recursos ilícitos provenientes da construtura Odebrecht. O discurso foi feito para uma plateia que contou com a participação de várias lideranças do PSDB no Senado, que se revezaram após o discurso em defesa do tucano.

“O mais importante é desmascarar a mentira. Isso seria muito simples bastava que apresentassem o banco e a conta para que a mentira seja provada, e provada de imediato. Não fizeram isso. Insisto mais uma vez, mostrem o banco, mostrem a conta e essa farsa ficará desmascarada de forma absolutamente definitiva”, ressaltou o senador da tribuna.

De acordo com reportagem da revista Veja desse fim de semana, o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Júnior afirmou em depoimento que a construtora fez depósitos para Aécio, numa conta de Nova York operada por sua irmã, Andrea Neves. Conhecido como BJ, Benedicto é um dos 78 executivos da empreiteira a firmar acordo de delação premiada com a Justiça.

Durante o discurso, Aécio voltou a defender que seja retirado o sigilo das delações realizadas no âmbito das investigações da Operação Lava Jato, que atualmente tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), e citou os impactos com a divulgação das informações pela revista. “Os prejuízos pessoais e políticos são incalculáveis. Diante tudo isso, solicitei formalmente ao ministro Edison Fachin (relator da Lava Jato no STF) que investigue a origem desse pseudo vazamento criminoso..., e que me permita, por outro lado, acesso à delação premiada desse executivo”, disse.

Com tom indignado, o tucano ressaltou aos presentes que a mesma “violência” poderá acontecer com outros senadores e defendeu que episódios semelhantes não sejam considerados como uma condenação prévia. “Não podemos nos transformar num País que confunda justiça com prévia condenação. O Brasil de hoje precisa de menos fogueiras e mais pontes. Menos intriga e mais diálogo, de mais responsabilidade”, afirmou.

O senador também aproveitou a oportunidade para rebater a ex-presidente Dilma Rousseff e disse que a petista “tripudia” no campo pessoal do “pesadelo” que está enfrentando. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Dilma acusa o tucano de ser responsável por um processo de “radicalização” e que não adiante ele e sua irmã, Andrea Neves, recorrerem às redes sociais “para gravarem depoimentos emocionados contra esse tipo de conflito, de vazamento”. “Quem abre a caixa cheia de monstros geralmente é devorado primeiro”, afirmou Dilma.

“A senhora presidente afastada Dilma Rousseff em um entrevista hoje à Folha de S.Paulo tripudia no campo pessoal desse pesadelo kafkiano que minha família está enfrentando. Afinal, reinterno, estamos sendo acusados sem saber sequer se fomos acusados. Ao fazer isso, ela legitima a covardia do vale-tudo, alimenta os monstros e abre ela a caixa de onde eles sairão fortalecidos para devorar na mesma irresponsabilidade o próximo da fila”, disparou Aécio.

Contrapartida. Segundo a reportagem, Benedicto Júnior afirmou que os valores foram entregues a Aécio como “contrapartida” ao atendimento de interesses da construtora em obras da Cidade Administrativa, sede do governo de Minas Gerais, realizadas entre 2007 e 2010, e da usina hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia, de cujo consórcio participa a Cemig, a estatal estadual de energia elétrica. No texto, a revista diz que confirmou a denúncia de BJ com três fontes distintas, todas ligadas ao processo de delação.

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