Mortos na ditadura militar são heróis, não vítimas, diz Lula

Apesar de não citar lei diretamente, presidente deixa clara posição contrária à revisão da anistia

Adriana Chiarini, de O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2008 | 17h08

O presidente presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira, 12, em evento no Aterro do Flamengo que é preciso "transformar os mortos em heróis e não em vítimas". De acordo com ele, "todas as vezes que falamos dos estudantes e operários que morreram (na luta pela democracia), falamos mal de alguém que os matou".Para Lula, isso significa tratar os mortos como vítimas, e não como heróis.   A declaração acontece após o presidente ter decretado o o fim da polêmica no governo sobre a revisão da Lei de Anistia.Segundo Lula, os brasileiros têm dificuldade em valorizar os seus mortos e disse que o último herói para o povo brasileiro foi Tiradentes.   Veja também: Militares decidem pôr fim a debate sobre a Lei da Anistia Tentativa de punir torturador chegará ao STF Leia íntegra da Lei de Anistia Entenda o processo que resultou na Lei da Anistia   Nos últimos dias, está havendo um debate público levantado pelos ministros da Justiça, Tarso Genro e da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo de Tarso Vannuchi, sobre se os militares responsáveis por tortura durante a ditadura militar deveriam ou não ser julgados por crime comum, sem o benefício concedido pela Lei da Anistia.   Em outro momento do discurso, Lula afirmou que estava presente no evento em frente ao terreno onde ficava a sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Aterro, para reconhecer a culpa do Estado pela destruição do prédio. "Não quero culpar uma ou outra pessoa, quero culpar o Estado brasileiro do qual sou presidente", afirmou.     (Com Reuters)

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