Morte de Vieira da Silva reacende questão religiosa no Império

Projeto EstadãoRepública130: personagens históricos narram em tuítes os 30 dias que antecederam a Proclamação da República, em 1889

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2019 | 12h25

Este texto faz parte do projeto EstadãoRepública130

A morte do senador Vieira da Silva reacende a questão religiosa depois que o bispo do Rio, Pedro Maria de Lacerda, recusa ao conselheiro do Império qualquer homenagem ou rito católico em razão de sua condição de maçom.

O episódio é mais um que será tratado pelos perfis do projeto EstadãoRepública130, que usa tuítes de personagens históricos para contar os 30 dias que antecederam a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889 (as publicações também podem ser acompanhadas pela hashtag #ER130.

A imprensa republicana  se levanta contra o obscurantismo da política ultramontana da Igreja. Ela também celebra a chegada ao Rio do tenente-coronel João Nepomuceno de Medeiros Mallet, ex-diretor da Escola Militar de Fortaleza, cuja demissão  foi apontada pela imprensa republicana como  mais um agravo ao Exército feito pela monarquia e pelo gabinete de visconde de Ouro Preto, que nega a crise militar.

 

Nesta semana, o leitor viu que, apesar de derrotados nas urnas, os republicanos mantiveram a estratégia de fundar clubes e assim conseguir novos eleitores em províncias como São Paulo, Minas e Rio. O movimento preparava-se para se manter como um ator político importante em defesa do federalismo a despeito da avalanche de votos obtidos pelos partidos monárquicos.

Ao mesmo tempo, seus jornais, como o Diário de Notícias, dirigido por Rui Barbosa, no Rio, voltava à carga na denúncia dos termos do acordo entre o gabinete liberal liderado pelo visconde de Ouro Preto e o Banco Nacional do Brasil que envolveria a renúncia à faculdade de emitir papel-moeda por parte do governo por um prazo de 60 anos. Já A Província de São Paulo publicara o editorial Ousado ou Leviano em que chamava o privilégio concedido ao banco de “escândalo”.

Outro ponto de atrito entre o governo e a oposição ao governo era a crise dos flagelados do Nordeste, que provocou novas acusações de malversação de fundos públicos feitas pelos republicanos. O número de atingidos pela seca teria sido inflado por funcionários do governo para que fosse possível desviar recursos. O gabinete Ouro Preto rechaçou as acusações.

À crise moral, somava-se novos episódios nas Forças Armadas explorados pela oposição que opunha à honra dos militares as atitudes do governo em casos de afastamento de oficiais de seus postos. O jornal Cidade do Rio, dirigido por José do Patrocínio, somou-se às vozes críticas à condução dos ministros do gabinete liberal dos assuntos militares.

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