Morte de padre italiano na Bahia é destaque na Itália

O destaque dos jornais das cidades de Trento e Polzano, no Norte da Itália, na véspera da canonização da Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus não é a festa de domingo no Vaticano, mas o assassinato do padre italiano Luís Lintner, morto com dois tiros em Salvador, na Bahia. O missionário, diz a manchete do jornal "Alto Adige" de Polzano, cidade natal do padre morto. Segundo o jornal, o assassinato foi uma execução fria e esperada, porque o padre Lintner era considerado um defensor dos pobres e pagou o preço pela denuncia de injustiças no Brasil.A imprensa regional de Polzano e Trento publica uma entrevista com a missionária católica leiga Pina Rabbiosi, que estava de férias na Itália e que deveria tomar um avião hoje em Milão de volta a Salvador, onde trabalha desde 1981. "Estamos continuamente à mercê da violência metropolitana. Os bairros de nossas cidades estão se tornando inviáveis para sobreviver. Tem-se medo de sair de casa e medo de andar até de dia. Rio e Salvador estão vivendo em um clima de guerra aberta", afirmou. Pina, que havia falado na véspera com o padre Luís Lintner, disse que no Brasil há uma disparidade terrível entre ricos e pobres. E que é dever dos missionários lutar contra a violência e arrogância de uns poucos contra os excluídos. A missionária não se surpreenderia com a hipótese de que o padre teria sido assassinado pela própria polícia. O jornal Trentino, de Trento, também dá destaque na primeira página, muito maior, ao assassinato do missionário do que a canonização de Madre Paulina, como ele apresenta como a primeira santa trentina, embora tenha migrado para o Brasil aos 9 anos de idade. PapaOutro destaque na imprensa italiana, nos jornais de circulação nacional, como o Corriere della Sera e no Republicca, é a hipótese de renuncia do Papa João Paulo II que completa 82 anos amanhã, sábado e está muito doente. Trata-se apenas de uma hipótese, mas ela ganha força, não só pela data do aniversário, mas pelo fato de que dois cardeais de prestígio do Vaticano terem comentado o assunto: Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e o Arcebispo de Tegucigalpa (Honduras), Oscar Rodriguez Maradiaga. Os dois falam como hipótese, mas que o Papa teria coragem de tomar esta decisão se fosse o caso. Na audiência da última quarta-feira, o Papa disse que continuará no posto enquanto Deus quiser.

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