Morte de Campos ainda é destaque na imprensa britânica

Para revista revista The Economist, candidatura de Marina ameaçaria tanto PT quanto PSDB; morte de candidato foi destaque também no Financial Times e NYT

FERNANDO NAKAGAWA E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTES, Estadão Conteúdo

14 de agosto de 2014 | 12h17

A morte do candidato Eduardo Campos continua com lugar de destaque na imprensa britânica. Na edição da revista The Economist que chega às bancas este fim de semana, a publicação cita que uma eventual candidatura de Marina Silva pode ser "o maior pesadelo do PT" e ameaçaria Aécio Neves (PSDB). No Financial Times, o ex-governador de Pernambuco teve uma foto estampada na primeira página na edição do jornal desta quinta-feira. A publicação classifica Campos como uma "raridade entre políticos brasileiros".

A Economist publica um obituário do político pernambucano e um texto em que debate as consequências do acidente. Na reportagem "Agosto trágico, outubro incerto", a publicação diz que a morte de Campos deixa a disputa presidencial "em aberto". A revista cita que muitos analistas já trabalham com a hipótese de Marina Silva ser a substituta do PSB. Diante do sucesso da então candidata em 2010 e o forte apelo que a ex-ministra do Meio Ambiente tem com parte do eleitorado, a Economist cita que Marina é classificada como "o maior pesadelo do PT" por alguns analistas.

A revista conversou com analistas brasileiros que afirmam que cresceu a chance de realização de segundo turno. "É quase inevitável", disse um dos entrevistados. Apesar disso, a revista nota que o efeito nas urnas ainda não pode ser avaliado. "Não será claro até as primeiras pesquisas pós-acidente, que saem em uma ou mais semanas, se Marina Silva poderia ameaçar a posição de Aécio Neves como adversário principal da presidente", diz a revista.

No longo obituário publicado pela Economist, Eduardo Campos é fortemente elogiado pela revista conhecida pelo posicionamento político liberal. "Sua habilidade e mistura entre o novo e o antigo e a esquerda e a direita fizeram o Sr. Campos um candidato político formidável", diz a revista. O texto destaca que o ex-governador conseguia ser adorado pela população mais pobre de Pernambuco e, ao mesmo tempo, pelos tecnocratas do Banco Mundial. "Ele tinha uma aura de autoridade, de comando".

No Financial Times, uma pequena foto do candidato foi estampada no alto da primeira página das edições impressas que circulam no Reino Unido e na Europa. Na mesma linha da Economist, o jornal afirma que o falecimento de Campos muda as perspectivas das eleições presidenciais brasileiras.

Nesta manhã, o blog dedicado aos mercados emergentes do FT, o Beyondbrics, publicou um texto em que lembra o dia em que o candidato visitou a redação do jornal britânico, em abril, durante uma viagem por Londres. "Ele se encontrou com o editor e uma dúzia de outros jornalistas e deixou uma impressão de um homem que tinha uma visão clara dos desafios que o Brasil enfrenta e dos meios para enfrentá-los", diz o texto. "A esse respeito, ele era uma raridade entre os políticos brasileiros. Ele fará muita falta".

New York Times. A morte trágica de Eduardo Campos muda de forma abrupta a dinâmica das eleições no País, destaca na edição desta quinta-feira o jornal norte-americano The New York Times ao noticiar o acidente aéreo que vitimou Campos ontem em Santos. "(A tragédia) sacode uma eleição cada vez mais competitiva na maior democracia da América Latina", ressalta o texto.

O jornal destaca que uma vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno é cada vez menos provável. A maior probabilidade é de um segundo turno acirrado, diz o texto. O Times cita a possibilidade de a vice de Campos, Marina Silva, ser agora a candidata oficial do partido na corrida presidencial, o que agitaria a disputa, pois a ambientalista é mais conhecida nacionalmente e popular que Eduardo Campos.

Assinado pelo correspondente do Times no Rio de Janeiro, Simon Romero, o texto faz ainda um histórico da carreira de Campos, um economista de formação que acabou entrando na vida política inspirado por seu avô, Miguel Arraes. O Times destaca ainda a aliança de Campos com o PT de Luiz Inácio Lula da Silva por vários anos e ressalta que o candidato do PSB emergiu na cena política brasileira como governo do Estado de Pernambuco.

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