Hélvio Romero/ Estadão
Hélvio Romero/ Estadão

Morte de Bruno Covas gera comoção no meio político

Prefeito morreu na manhã deste domingo, 16, vítima de um câncer; ele deixa o filho Tomás, de 15 anos

Adriana Ferraz e Renato Vasconcelos, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2021 | 10h13
Atualizado 16 de maio de 2021 | 20h17

A morte precoce do prefeito Bruno Covas (PSDB), de 41 anos, na manhã deste domingo, 16, gerou comoção no meio político. Ao longo de um ano e meio, o tucano demonstrou determinação e otimismo para tratar de um câncer agressivo já descoberto em processo de metástase. Desde abril, a doença evoluiu muito rapidamente e complicações em seu tratamento levaram à morte, pela primeira vez, de um prefeito de São Paulo durante o mandato. A consciência em relação ao avô, Mário Covas, que também morreu de câncer quando era governador do Estado, há 20 anos, torna a morte ainda mais marcante e sofrida entre amigos e familiares. Bruno Covas deixa o filho Tomás, de 15 anos.

Governador de São Paulo e ex-companheiro de chapa de Covas na Prefeitura da capital, João Doria agradeceu os momentos compartilhados com o prefeito. Em nota, Doria presta solidariedade aos pais de Covas, Renata e Pedro, o irmão, Gustavo e o filho, Tomás.

"Tive o privilégio de acompanhá-lo desde o início da vida pública, ao lado do seu avô Mario Covas. Tive a honra de tê-lo como vice, na prefeitura de São Paulo. E a alegria de ver seus ideais e realizações aprovados nas eleições de 2020. Bruno Covas era sensível, sereno, correto, racional, pragmático e ponderado. Voz sensata, sorriso largo e bom coração. Bruno Covas era esperança. E a esperança não morre: ela segue, com fé, nas lições que ele nos ofereceu em sua vida. Muito obrigado, Bruno. Você foi e continuará sendo para todos nós, um eterno exemplo", escreveu. 

O presidente da República, Jair Bolsonaro, prestou a sua solidariedade ao prefeito de São Paulo por meio de rede social no meio desta tarde. A mensagem do mandatário foi publicada no Twitter cerca de seis horas depois da comunicação da morte de Covas. "Nossa solidariedade aos familiares e amigos do Bruno Covas, que faleceu hoje após uma longa batalha contra o câncer. Que Deus conforte o coração de todos!"

Partidários se despedem

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, líder histórico do PSDB, lamentou a perda da jovem liderança tucana. Com a morte de Bruno Covas, SP perde um bom prefeito e o PSDB um bom quadro. Lamento pela perda tão jovem de uma vida, pela família e por todos nós que o respeitávamos e o tínhamos como um grande quadro político", escreveu em suas redes sociais.

O senador José Serra (PSDB-SP) também lamentou a morte precoce do prefeito, que classificou como "uma imensa perda". "Era uma bela figura humana e um grande quadro político. Fará muita falta a todos nós e à cidade de São Paulo, que ele vinha administrando com dedicação e competência."

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, elogiou a transparência de Covas com a população sobre seu estado de saúde, e a coragem para enfrentar o câncer. "O grande legado do Bruno é a coragem. Ele enfrentou a doença como um guerreiro.  A outra característica que se destaca é a transparência. Desde o primeiro momento ele informou a população não só sobre a doença, mas sobre toda a sua evolução."

O presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, afirmou que a partida precoce de Covas é uma perda humana e política. "Guerreiro Jovem. Jovem Guerreiro. Preparado para servir a vida pública, inspirador, decente, bem humorado, Amigo, pai amoroso. Na escassez de Grandes quadros na vida pública nacional é uma perda imensa. Que Deus acolha esse ser fantástico. E sua família seja imensamente confortada por sua exemplar vida. A Tomás do fundo do coração um afetuoso abraço", escreveu.

Recém-filiado ao PSDB, o vice-governador Rodrigo Garcia disse ter perdido "um grande amigo", enquanto São Paulo e o Brasil "perderam um líder carismático e sensível". "Estive com ele na quinta à tarde e fui recebido com o mesmo sorriso de sempre. Estava sereno, em paz consigo. Estou triste demais. Não é certo e não entra na minha cabeça que alguém tão jovem parta tão cedo. Eu só tenho a agradecer pela amizade e generosidade que criamos nesses anos. Meu abraço carinhoso ao Tomás, seu filho, à Renata, sua mãe, e aos demais familiares e amigos. Força, foco e fé continuarão a nos guiar, sempre. Fique com Deus, irmão. Sua missão agora é nossa."

Em nota oficial, o PSDB lembrou a batalha contra o câncer e a dedicação do prefeito à vida pública. A sigla também destacou as qualidades de Covas como político: "Bruno Covas representava uma esperança. Um quadro da política, formado na militância partidária, que valorizava o diálogo e a construção de consensos. Em um momento tão polarizado e, com um enorme vazio de lideranças, fará enorme falta. Seu exemplo nos inspira hoje e sempre".

Opositores prestam respeito

Líderes do rival histórico do PSDB na política nacional e paulistana, o PT, também prestaram homenagens a Covas. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também prestou homenagem ao prefeito de São Paulo. "Meus sentimentos aos familiares, amigos e correligionários de Bruno Covas, que nos deixou hoje após travar uma longa e dura batalha contra o câncer. Que Deus conforte o coração de sua família."

A ex-presidente Dilma Rousseff, também usou as redes sociais para lamentar a morte do prefeito: "O Brasil perdeu um dos seus promissores líderes políticos". Ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad  prestou seus sentimentos à família Covas pela perda precoce. Eduardo Suplicy, vereador mais votado na capital paulista nas últimas eleições, também se solidarizou com os familiares do prefeito, e disse que, em homenagem a Covas, "vamos todos realizar um esforço para fazer desta cidade um exemplo de realização de justiça, solidariedade e dignidade para todos as paulistanas e paulistanos."

Adversários de Covas nas últimas eleições municipais também renderam homenagens ao líder tucano. Guilherme Boulos (PSOL), que disputou o segundo turno em São Paulo em 2020, escreveu em suas redes sociais que teve uma convivência "franca e democrática" com o líder do PSDB. "Minha solidariedade aos seus familiares e amigos neste momento difícil. Vá em paz, Bruno!".

Jilmar Tatto (PT) disse que Bruno "batalhou o bom combate" e disse que é "sempre triste a perda de uma pessoa tão jovem". Orlando Silva (PCdoB), outro opositor do prefeito na política municipal, escreveu que a morte de Covas "choca e entristece". "Era muito novo, inteligente, cortez mesmo com quem a ele se opunha politicamente. Um democrata verdadeiro. Que a família, especialmente seu filho, tenha forças para superar a dor da partida. Fique em paz, Bruno".

Homenagens no âmbito federal

Além de prefeito de São Paulo, Bruno Covas foi deputado federal entre 2015 e 2017, antes de deixar o cargo para concorrer à Prefeitura de São Paulo como vice na chapa de João Doria. Lideranças da Câmara e do Senado, ex-presidentes da República e a cúpula do poder Judiciário também publicaram mensagens de despedida.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) expressou "profundo sentimento de pesar" ao filho e à família de Covas e à população de São Paulo, em nome do Congresso Nacional. Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara e colega do prefeito na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, em 2015, lamentou a partida precoce de "um jovem talento na política". "Admiro a forma aguerrida como conduziu a pandemia na maior cidade do País e como fez sua campanha de eleição para a prefeitura. Meus sentimentos aos familiares, amigos e em especial ao seu filho Tomás".

O ex-presidente da República, Michel Temer, compartilhou, nas redes sociais, uma foto ao lado de Bruno Covas, e escreveu: "Acabo de receber a tristíssima notícia do falecimento de Bruno Covas. Tão jovem, tão afável, tão idôneo. Com ele vai embora parte da nossa esperança. Descansa em paz". Outra liderança do MDB, o deputado federal Baleia Rossi (SP), ex-candidato à presidência da Câmara, disse que Covas tinha um futuro brilhante: "Em pouco tempo na vida pública, demonstrou caráter, perseverança e coragem. Honrou cada voto que recebeu do povo paulista e, sem dúvida, sempre será um exemplo para todos".

Luiz Fux, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que Bruno Covas deixou "valiosas lições de perseverança e esperança a todos nós". "Deu grande exemplo de dedicação à vida pública. Toda a minha solidariedade à família, ao filho e aos amigos", completou. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, que também é ministro do STF, divulgou nota em nome dos demais ministros do TSE em que se solidariza com a família de Covas e com a população paulistana. "Bruno Covas foi reeleito, no ano passado, com mais de 3 milhões de votos e honrou a tradição democrática da família, que teve no Senador Mário Covas outro integrante respeitado e admirado pela nação brasileira".

O ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia destacou a boa relação com Covas. "Tivemos uma ótima relação na Câmara dos Deputados, depois ele já prefeito de São Paulo, estivemos sempre próximos. Bruno foi uma pessoa que sempre demonstrou muita força, e é um exemplo de luta para todos nós. Deixo meu abraço à sua família, em especial ao seu filho Tomás". O ex-presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou ter guardado "a melhor impressão dos gestos de homem público forte, decente e de muito caráter". "Perdemos um homem de valor e a cidade de São Paulo perde um político de princípios"

Repercussão no Planalto

Além de Bolsonaro, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, prestou sua homenagem a Covas. "Lamento a notícia do falecimento do prefeito Bruno Covas. Na única ocasião em que foi preciso trabalharmos juntos, foi de um republicanismo exemplar e buscou resolver o problema antes de definir qual ente seria responsável. Ganhou minha admiração", escreveu Tarcísio. O presidente respondeu a mensagem do ministro apenas com um símbolo de aperto de mãos.

Outros ministros de governo entraram na corrente de solidariedade aos familiares e amigos de Bruno Covas. O ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), desejou conforto familiares e amigos de Covas.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD-RN), também registrou seu pesar com a morte do ex-colega de Câmara dos Deputados. "Que Deus o receba e conforte os familiares e amigos neste momento de dor."

Comoção nacional

A morte de Bruno Covas aos 41 anos causou comoção na classe política de todo o Brasil. Da direita à esquerda, governadores e prefeitos de todas as regiões do país expressaram solidariedade pela perda do prefeito de São Paulo. No Rio de Janeiro, governador Claudio Castro (PSC) afirmou que a morte do jovem líder tucano "interrompe uma trajetória que ainda seria repleta de conquistas". "Uma grande perda para o Brasil com a partida deste jovem, líder e democrata", completou. Eduardo Paes, prefeito do Rio, desejou "em nome dos cariocas a todos os paulistanos" sentimentos pela morte partida do prefeito. "Bruno foi um exemplo de homem público e gestor que continuará sendo seguido.  Meu carinho especial a família e aos amigos próximos. Que Deus possa confortar seus corações".

Ainda do Estado vizinho, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ),  foi o primeiro a membro da família presidencial a se manifestar após a confirmação da morte de Covas. "Meu pesar pelo passamento de Bruno Covas. Sua postura à frente da maior cidade do Brasil, com dedicação absoluta até o último minuto que pôde, serve de inspiração a todos na vida pública. Que Deus o tenha e conforte a família."

Outro membro da família do presidente a prestar homenagem ao prefeito foi o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). "Que Deus dê forças aos amigos e familiares do Bruno Covas neste momento difícil", escreveu ao compartilhar postagem do presidente.

O governador da Bahia, Rui Costa, lamento profundamente o falecimento do prefeito. "Muito triste sua partida assim tão jovem, deixando um filho adolescente. Que Deus, em sua infinita sabedoria, conforte a família e os amigos". Ainda no Nordeste, o governador do Piauí e presidente do Consóricio Nordeste, Wellington Dias (PT) disse que a partida de Bruno é "uma perda muito dolorosa para São Paulo e para o Brasil". "Além de sua trajetória política e seu legado para a população, nos deixou uma lição de força, fé e muita determinação".

Em Goiás, o governador Ronaldo Caiado (DEM) disse que a perda de Covas entristece não só São Paulo, mas todo o Brasil. "Bruno Covas foi um jovem que soube honrar os valores que seu avô Mário Covas ensinou". E completou: "Era um político da nova geração que ajudaria muito o País."

O governador do Pará, Helder Barbalho, disse ter recebido a notícia da morte de Covas "com muita tristeza" e desejou sentimentos a todos os paulistanos e a família do prefeito. Companheiro de partido e governador do Amazonas, Arthur Virgílio ressaltou a semelhança de Bruno com seu avô, Mario Covas. "Quero ressaltar o fato de Bruno ser muito bom e ter um forte lado Mario Covas, que foi sem dúvida a maior figura do PSDB". Virgílio também disse que Bruno Covas "conclui sua vida como um guerreiro e se torna símbolo de resistência aos que buscam, por meio da política, transformar vidas".

Também partidário de Covas, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, publicou uma foto com o prefeito em suas redes sociais. "Levaremos sua alegria, seu trabalho, sua serenidade e sua dedicação por uma política feita com respeito e equilíbrio como exemplo. Obrigado, amigo Bruno Covas! Meu abraço e carinho a sua família!".

Repercussão no exterior

O magnata e ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, publicou em seu perfil no Twitter uma nota de pesar pela morte de Covas. Na mensagem, diz que o político era um "líder ousado e criativo que ajudou a fazer do motor econômico do Brasil uma das cidades mais inovadoras da região." Além disso, relembra a participação do prefeito no Mayors Challenge, uma competição da fundação Bloomberg para premiar projetos inovadores. "Ele levou a mesma coragem, determinação e espírito positivo de sua batalha contra o câncer para o comando da Prefeitura, e o seu trabalho ainda continuará a melhorar a vida de milhões em São Paulo por muitos anos", completa.

Instituições reagem com pesar

Algumas instituições, como associações e institutos representativos reagiram com pesar à notícia da morte do prefeito de São Paulo. O Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP) lamentou a morte precoce do prefeito, destacando as formação jurídica de Bruno Covas. "Advogado e economista, ainda jovem despontou na liderança partidária, seguindo a trajetória do experiente avô, o ex-governador de São Paulo Mário Covas, que também faleceu no exercício do cargo. À política brasileira e em especial aos paulistanos, Bruno Covas deixa um legado de seriedade, respeito e transparência na gestão pública, sempre amparado nos princípios da democracia."

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) publicou uma nota em que afirma que o prefeito é "um exemplo a ser seguido" pelos brasileiros. "Político e figura pública de grandes qualidades, Bruno Covas lutou até o último minuto, mesmo em circunstâncias muito difíceis". E completou: "Neste momento difícil, a Abit agradece por toda dedicação, competência e trabalho, e presta sua solidariedade aos familiares e amigos".

A B3, bolsa de valores do Brasil, também lamentou a morte do prefeito. "Covas, como um dos expoentes da nova geração de lideranças políticas do nosso país, soube exercer o diálogo amplo e a construção de consensos que fortalecem a democracia. Na sua luta pessoal contra o câncer, soube ser exemplo de tenacidade e coragem."

Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), escreveu, por meio de nota, que o País perde um "jovem talento da política". Comparou a sua trajetória com a do avô, Mario: "Lutou bravamente pela vida e honrou o mandato que recebeu do povo paulistano até o final, sempre com altivez. Fica o exemplo de transparência e garra com que enfrentou a doença, além do espírito público com o qual serviu a sociedade nos vários cargos que ocupou em sua breve e produtiva trajetória.

Chiquinho Pereira, presidente do Sindicato dos Padeiros de São Paulo e da Febrapan (Federação Brasileira dos Trabalhadores nas Indústrias de Panificação, Confeitaria e Padarias) e secretário nacional de Organização, Formação e Políticas Sindicais da UGT, também por meio de nota enviada à imprensa, lamentou a morte do prefeito de São Paulo. "Apesar de sua juventude, Bruno Covas era um líder político experiente, democrático e aberto ao diálogo, com ampla visão de desenvolvimento para a cidade", diz.

O tradicional Colégio Bandeirantes, no qual o prefeito estudou na juventude, publicou nota de pesar em seu site. "Bruno sempre foi um exemplo de garra e determinação, tanto na sua vida pública quanto na sua vida privada", diz o texto.

A Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), na qual o prefeito concluiu uma de suas duas graduações, também publicou homenagem no Twitter, com depoimento do diretor Floriano de Azevedo Marques. “Na Prefeitura foi um grande apoiador de projetos da FD: tomou como prioridade a reurbanização do entorno da Faculdade e outros tantos. Sempre foi um dos nossos. Uma perda precoce de um político que honrou nossas tradições”, diz a mensagem. 

/COLABORARAM LORENNA RODRIGUES E LAURIBERTO POMPEU

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