Mortalidade infantil caiu 38% na década de 90

Os dados preliminares do Censo 2000 indicam queda significativa na mortalidade infantil do País. Na década de 90, a taxa caiu de 48 mortes de bebês por mil nascidos vivos para 29,6/1000. O declínio, de 38%, foi maior do que havia sido estimado pelos técnicos do IBGE em censos anteriores. Eles esperavam que o Brasil chegasse a 2000 com 33,5/1000. O novo índice brasileiro foi comemorado pelo Ministério da Saúde. "Nossa meta foi atingida e é resultado do sucesso das políticas públicas adotadas ao longo da década", disse o ministro da Saúde, Barjas Negri. O ministro citou a eficiência de programas para melhorar o pré-Natal e o acesso da população à rede de saúde. Apesar do otimismo, a taxa brasileira ainda está bem abaixo dos índices dos países desenvolvidos (países da Europa têm taxas que giram em torno de 5/1000) e mesmo de alguns de seus vizinhos da América Latina, como Chile (10/1000), Argentina (18/1000) e Paraguai (24/1000).O Nordeste foi a região do País que apresentou a maior queda na década. Passou de 72,9/1000 para 44,2/1000, uma redução de 40%. Mas a região também é a que tem a maior taxa de mortalidade do País. Seu índice se aproxima ao de alguns países africanos, como o Marrocos (48/1000) e o Egito (47/1000). "O resultado do censo foi positivo e nos surpreendeu, mas temos que lembrar que nossa taxa ainda está acima do que a Organização Mundial de Saúde considera baixa mortalidade", explicou Celso Simões, técnico do IBGE especialista nessa área. A OMS considera baixos e aceitáveis as taxas de até 20/1000. Entre 20/1000 e 40/1000, o índice é médio e não-ideal. Acima dos 40/1000 ele é considerado muito preocupante. O ministro Barjas Negri admitiu que a mortalidade infantil no Brasil ainda é alta, mas ressaltou que há indícios de que ela vai continuar caindo no futuro. "Temos um longo caminho a percorrer, mas a queda da década de 90 já aponta que estamos fazendo a coisa certa", disse Negri. O ministro afirmou que os programas de saneamento básico e de redução da miséria que estão em andamento vão ajudar a manter a queda nos próximos anos.Apesar dos baixo índice do Nordeste, a taxa de mortalidade nas regiões Sul (19,7/1000) e Sudeste (20,6/1000) está se aproximando das consideradas ideais pela OMS. "O problema do Brasil é que as diferenças ainda são muito grandes, o que acaba reduzindo a média nacional", avaliou o técnico Celso Simões.FecundidadeO censo confirmou ainda um antigo problema brasileiro, a gravidez na adolescência. Ao contrário da queda registrada na taxa nacional de fecundidade (caiu de 4,4 filhos por mulher para 2,3 entre 1980 e 2000), o índice das jovens entre 15 e 19 anos foi o único que cresceu entre 1980 e 2000. Nessa faixa etária, cresceu de 8 para 9,1 o número de filhos para cada grupo de 100 mulheres. Além disso, houve redução da idade média da fecundidade. No mesmo período, ela passou de 28,9 anos para 26,3. A queda da idade média ocorreu em todas as regiões brasileiras, com redução mais expresiva no Norte (25,9) e Nordeste (26,5). "O que o censo mostra é que as mulheres estão tendo filhos mais jovens e apelam para laqueaduras quando ficam mais velhas", afirma o técnico do IBGE Juarez Oliveira.

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