Morre Stephany, bebê operado no 6º mês de gestação

Morreu ontem a menina Stephany Vitória, que havia sobrevivido a uma cirurgia ainda no útero materno no 6º mês de gestação para a retirada de um tumor no pulmão. O óbito - por falência cardíaca decorrente de hipertensão pulmonar - aconteceu 30 horas após o nascimento no Hospital Municipal Universitário (HMU) em São Bernardo do Campo. Stephany foi o 14º bebê submetido a esse tipo de intervenção no mundo e o primeira fora dos Estados Unidos. A hipertensão pulmonar já era uma complicação esperada pela equipe médica. Dos 13 casos americanos, cinco recém-nascidos tiveram o mesmo problema e morreram. De acordo com José Kleber Kobol Machado, chefe do serviço de neonatologia do HMU, a doença se caracteriza pelo aumento de pressão nos vasos sangüíneos do pulmão. Isso faz com que o coração da criança tenha que trabalhar com mais força para mandar o sangue ao pulmão. Às 13h de ontem, a menina teve uma parada cardiorespiratória. "Mas ainda conseguimos reverter a situação", explicou o médico. Uma hora depois, o quadro se repetiu e Stephany não resistiu. "Infelizmente, ela desenvolveu a mais grave das complicações", avaliou José Kleber. Esperança - A criança nasceu com 1,9 quilo na manhã de anteontem de uma cesárea que transcorreu normalmente. O nascimento se deu 59 dias após a retirada do tumor que pesava 15 gramas e media seis centímetros. O bebê chorou e foi levado ao rosto da mãe. Em seguida, foi entubado. A hipertensão pulmonar surgiu em torno de três horas após o nascimento. Entretanto, no decorrer das horas, o quadro clínico teve oscilações. Por volta da 1h da manhã, ela estava no seu melhor momento. A mãe, a babá Fábia do Carmo Santana, 29 anos, esteve na UTI com a menina nesse horário e também ficou otimista com uma possível recuperação, assim com a equipe médica. Stephany era a sua primeira filha. E mesmo sabendo de todos os riscos, a mãe optou pela cirurgia fetal para a retirada do tumor. "Nós estamos muito tristes e frustados com a morte do bebê. Mas ao mesmo tempo pudemos trazer um pouco de esperança para a família e para outras que poderão vir até o mesmo problema", afirmou Guilherme Fernandes, professor responsável pelo setor de Medicina Fetal da Faculdade de Medicina do ABC e do HMU. Na avaliação dos médicos, se a cirurgia fetal não tivesse sido realizada, o bebê teria morrido ainda no útero. "A cirurgia era a única chance", disse Guilherme. Para a equipe médica, a cirurgia fetal foi um sucesso e o pós-operatório da mãe também. Ela ficou todo esse tempo internada na Casa da Gestante para pacientes com gravidez de alto risco. Stephany tinha ainda um ponto positivo em relação aos bebês americanos. O parto dessas crianças aconteceu em média quatro semanas após a intervenção. No caso brasileiro, os médicos conseguiram esperar 8 semanas e meia.

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