Morre o senador Antonio Carlos Magalhães, aos 79 anos

Internado desde 13 de junho, ACM sofreu falência múltipla de órgãos

20 de julho de 2007 | 11h56

O senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), de 79 anos, morreu nesta sexta-feira, 20, às 11h40, por falência múltipla de órgãos. ACM, como era conhecido, deu entrada no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), em São Paulo, no dia 13 de junho, para fazer exames de rotina. O senador sofria de problemas renais, diabetes e era cardíaco.   O presidente Luiz Inácio Lula da Silva  disponibilizou um avião da FAB para o translado do corpo do senador baiano de São Paulo para Salvador, onde será enterrado neste sábado, 21, às 17 horas, no cemitério Campo Santo, onde está enterrado o filho de ACM, Luiz Eduardo Magalhães, morto em 1998. O velório será no Palácio da Aclamação, que foi durante anos a residência oficial dos governadores do Estado. Não haverá nenhuma homenagem oficial em Brasília, a pedido da família.      Veja também: Morre o senador Antonio Carlos Magalhães No vídeo mais acessado no YouTube, ACM defende ditadura Frases do senador Site oficial do senador Galeria de Fotos  ACM visita o Estado de S. Paulo      Desde março deste ano, ACM passou por várias idas e vindas do hospital. Uma das mais recentes aconteceu no final de junho, após o senador passar mal, perder o controle das pernas e cair no plenário do Senado.   "Toninho Ternura" para os amigos. "Toninho Malvadeza" para os inimigos. Antonio Carlos Magalhães sempre foi uma figura política controversa. A "malvadeza" se deve ao estilo implacável com os desafetos e à imagem que construiu baseada no tradicional coronelismo da política nordestina. E a "ternura" reflete o tratamento que concedia aos que o apoiavam.   Mas o chamado carlismo perdeu sua força nos últimos anos. Nas eleições de 2006, por exemplo, o petista Jaques Wagner ganhou de virada o governo da Bahia, deixando o PFL estarrecido após quatro mandatos de mando do grupo carlista no Estado. ACM apostava no cenário inverso.   Também no Senado, ele não conseguiu a vitória de seu candidato. A crise, no entanto, começou há pouco mais de dois anos com a derrota na disputa pela prefeitura de Salvador.   A morte do filho, em 1998, foi um duro golpe para ACM. Luís Eduardo Magalhães era o projeto do PFL para chegar à Presidência em 2002. À época, a dor estampada no rosto do pai não tinha tamanho, muitos duvidaram que ACM poderia se recuperar do baque, alguns apostaram até que renunciaria ao mandato de senador.   Ledo engano, ACM voltou como um trator para o Senado e retomou para si as rédeas da política regional. Como herdeiro na política, Antônio Carlos Magalhães deixa o deputado ACM Neto, uma das figuras mais contundentes na Câmara e herdeiro do PFL, agora rebatizado de Democratas, que quer deixar para trás o legado da ditadura militar.   Trajetória   Nascido em 4 de setembro de 1927, ACM completaria 80 anos e, como em outros aniversários, a data seria quase feriado na Bahia. Sua trajetória política teve início em 1954, aos 27 anos, quando foi eleito deputado estadual pela UDN. Participou da ditadura militar brasileira, tendo sido um dos articuladores do golpe militar de 1964. Em 1966, foi reeleito deputado federal, agora pela ARENA. Era médico de formação, mas nunca exerceu a medicina.   Pelos militares, foi nomeado prefeito de Salvador e duas vezes governador, em 1970 e 1978. Foi nomeado presidente da Eletrobrás, no segundo ano do governo do presidente Ernesto Geisel. Foi ministro das Comunicações, nomeado por Tancredo Neves. Após sua morte, José Sarney o manteve no cargo. Apoiou Fernando Collor de Mello do primeiro ao último dia no Planalto.   O culto à figura de ACM na Bahia chega bem perto a de um santo. Eleitores fanáticos chegam a tratá-lo como uma entidade religiosa, cultuando sua imagem. "É quase como um orixá", ironizou uma vez a ex-prefeita de Salvador Lídice da Mata (PSDB), desafeto de ACM. Na Bahia, há homenagens por toda a parte: nomes de escolas, pontes, ruas e até imagens do político.   O grupo de ACM sempre exerceu sua força e conquistou poder na Bahia, embora essa hegemonia esteja em crise. ACM controla uma rede de emissoras que retransmitem a programação da Rede Globo. À época da concessão, ACM era ministro das Comunicações e a retransmissão, segundo seus opositores, teria sido um prêmio das Organizações Roberto Marinho como retribuição às facilidades que teriam sido abertas para a compra da Nec.   Renúncia   ACM teve também seu nome envolvido em várias denúncias de ilegalidades, como a fraude no painel de votação do Senado e os grampos telefônicos ilegais na Bahia, que o fez renunciar ao mandato de senador. Foi protagonista, em meados de abril de 2000, de uma série de trocas de ofensas com o então presidente do Senado, Jader Barbalho, fazendo sérias acusações contra ele. A troca de acusações também levou Jader a renunciar.   

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