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Morre o jornalista Randau Marques aos 70 anos

Pioneiro no jornalismo ambiental e fundador da SOS Mata Atlântica, teve a carreira marcada por grandes coberturas investigativas

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2020 | 21h26

O jornalista Randau Marques morreu nesta quinta-feira, 9, aos 70 anos, vítima de um infarto fulminante. Nascido em Icaçaba, no interior de São Paulo, em um assentamento indígena, Randau trabalhou na redação do Jornal da Tarde por mais de 21 anos e marcou a história da imprensa nacional como o primeiro jornalista especializado em meio ambiente. Ele deixou a mulher e três filhos. 

Sem ter feito o ensino superior, é definido por amigos e colegas de trabalho como um repórter brilhante, responsável por trazer à tona grandes temas da área ambiental, como o desmatamento da Amazônia. “(Randau) Foi o pioneiro do jornalismo ambiental brasileiro. Era proativo, não tinha uma cobertura técnica, mas política”, lembrou o jornalista Rodrigo Mesquita. Segundo ele, Randau fez com que o Jornal da Tarde acabasse indiretamente sendo um dos fatores de articulação do movimento ambientalista em São Paulo.

Grandes coberturas investigativas são a marca da carreira de Randau. Uma das mais importantes foi em 1985, quando revelou que a Serra do Mar estava desabando. “Foram anos de cobertura para conseguir fazer com que a empresa parasse de poluir daquela forma”, conta Mesquita. “Ele que levantou toda a tragédia de Cubatão. Tem fotos da Serra do Mar que estava desmoronando. Ele acabou nesse processo de cobertura e cunhou o termo ‘Vale da Morte’, algo muito forte.”

O trabalho investigativo o levou a ser preso, em 1968, por escrever uma reportagem em que denunciou a contaminação de sapateiros com chumbo.

Bunker de livros, papéis, dossiês, material de consulta e um pequeno espaço para a máquina de escrever. Foi nesse ambiente que Randau Marques escreveu grandes reportagens. “Era um gênio, um cara brilhantíssimo, de texto absolutamente próprio. Você lia a matéria e sabia que era dele”, diz o ambientalista Fábio Feldmann.

Em seu currículo, acumula outros grandes feitos, além do jornalismo. Foi um dos fundadores da ONG SOS Mata Atlântica e da organização Oikos, em plena ditadura militar.

Feldmann conta que o jornalista atuou também como assessor especial da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e foi responsável por muitas reuniões anuais. “Foi ele quem fez essa ponte com a comunidade científica brasileira."

 

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