Morre o ex-governador potiguar Aluízio Alves

Último remanescente da Constituinte de 1946, amigo de Carlos Lacerda, político precursor do marketing eleitoral no Nordeste e que montou o maior grupo de comunicação do Rio Grande do Norte, Aluízio Alves, 84, morreu neste sábado depois de quatro dias de internação na Casa de Saúde São Lucas, no bairro Tirol em Natal. Na quarta-feira, o líder do PMDB no Rio Grande do Norte sofreu paradas cardíaca e respiratória e entrou em coma induzido. Neste sábado, pela manhã, foi constatada a inatividade cerebral do paciente por uma junta de cinco médicos. Ele conseguiu reunir com sua agonia, políticos adversários como seu filho, deputado Henrique Eduardo (PMDB) e a governadora Wilma de Faria (PMDB). Aluízio foi ministro da Administração e da Integração Regional, nos governos dos presidentes José Sarney e Itamar Franco, respectivamente. Governador que marcou época no Estado, entre 1960 e 1965, ele tinha grandes chances de ser o candidato a vice-presidente em uma eventual candidatura do mineiro Magalhães Pinto, em 1965. Conseguiu manter relacionamento direto com a Casa Branca no início dos anos 1960, articulando a vinda do presidente John Kennedy ao Rio Grande do Norte para dezembro de 1963, que morreria, assassinado um mês antes. Foi no governo de Alves, que Paulo Freire implantou a revolucionária experiência de alfabetizar agricultores em 40 horas de aulas em Angicos, terra natal dele, naquele mesmo ano.O relator da CPI dos Bingos, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB), sobrinho e herdeiro político de Aluízio Alves, disse depois do falecimento do ex-ministro que o Rio Grande do Norte perdeu seu maior líder político dos últimos tempos e "sua obra política repercutiu sobre várias gerações norte-rio-grandenses e seu exemplo de firmeza, coragem e abnegação às causas populares devem ser seguidas pelas novas gerações". O ex-governador se distinguiu por adotar a cor verde e de ser o porta voz da esperança, realizando vigílias cívicas nas campanhas dos anos sessenta, por conseguir eleger um padre para o governo (1965) e um marinheiro para o Senado (1974). Em 1982, depois de uma década proscrito, cassado pelo regime militar, que chegou a apoiar em algum momento, Aluízio sofreu a derrota mais amarga para um jovem político : José Agripino Maia, hoje líder do PFL e um dos maiores adversários do governo Lula.Apesar das disputas políticas, a governadora Wilma de Faria que prestou solidariedade a família Alves durante os quatro dias de internação do patriarca, ela já havia reconhecido há dois dias que o ex-ministro foi o maior político do Estado. "Um líder nato, jornalista de grande talento, ingressou na política por vocação e construiu uma biografia que transcendeu nossos limites", frisou Wilma. "Nesta hora, não há espaço para divergências ou antagonismos",acrescentou.Aluízio, que colecionou como ninguém no Estado, admiradores, fãs obstinados e inimigos, como hábil estrategista, será velado no Palácio da Cultura, a partir de onde liderou tantas passeatas, na Cidade Alta se será sepultado neste domingo às 16h no cemitério Morada da Paz, zona sul natalense.

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