Morre o ex-deputado federal Hélio Navarro

O corpo do ex-deputado federal Hélio Henrique Pereira Navarro será sepultado nesta quarta-feira às 17 horas. Ele morreu ontem, aos 61 anos, em São José do Rio Pardo, interior de São Paulo, onde morava. Navarro foi um dos principais opositores do regime militar instaurado em 1964 no Brasil. Ele estava em estado de coma desde sábado, em virtude de um derrame cerebral. O velório está sendo realizado na Câmara Municipal da cidade.Um dos fundadores do antigo MDB, ele foi eleito deputado federal em 1966, aos 25 anos, e é um dos mais jovens políticos eleitos no País. Teve seu mandato cassado em dezembro de 1968, na primeira lista de cassações do Ato Institucional Número 05 (AI-5). Seus direitos políticos foram suspensos por 10 anos.Navarro não quis se esconder nem deixar o País, e acabou sendo detido no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, ao retornar de Brasília. Foi processado pela Justiça Militar e, com base na Lei de Segurança Nacional, condenado a dois anos de prisão. Ele cumpriu toda a pena no antigo presídio de Tiradentes, em São Paulo. Na época foi acusado pelas denúncias que fazia contra o regime militar na tribuna da Câmara Federal.Além de político, Navarro era advogado, se destacando nas áreas cível e criminal. Foi presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP), onde se formou. Já na época de estudante já era um dos principais líderes da resistência contra a ditadura.Com a anistia, Navarro se candidatou ao Senado, em 1982, numa das sublegendas do PMDB, tornando-se então suplente do senador Severo Gomes. Ele também atuou na defesa de vários presos políticos, depois de sair da prisão, mantendo sua postura combativa.Navarro ainda se candidatou a deputado federal, em 1986, e a prefeito de São José do Rio Pardo em 1992, mas não se elegeu. Desde então, passou a se dedicar à advocacia, mas segundo seus amigos, continuou ativo na vida política da cidade onde morava. Navarro ainda trabalhou com jornalismo, fundando um jornal Cidade Livre em 1979. O jornal circulou até 1983. Navarro deixa uma mulher, que é médica, e três filhas, duas advogadas e uma médica.

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