Morre mulher que recebeu silicone aplicado por travesti

Depois de passar um mês internada no Hospital Geral do Estado (HGE) a empregada doméstica Rosângela Dantas, de 29 anos, morreu no início da manhã de hoje, de infecção generalizada, em conseqüência da uma injeção de silicone de carro (usado para limpeza e lubrificação) que recebeu nas nádegas, aplicada pelo travesti Édson Lima Matos, o "Piroco". Rosângela pretendia aumentar a região glútea e não ouviu os conselhos da mãe Ieda Dantas que a reprovou por procurar uma pessoa sem qualquer qualificação. "Piroco" cobrou R$ 300 pela aplicação de aproximadamente um litro de silicone na mulher e fechou o ferimento da agulha com esmalte de unha. A injeção provocou uma grave infecção nas nádegas de Rosângela que passou por cinco cirurgias no HGE para a retirada de tecido necrosado, mas não resistiu. "Piroco" que estava sendo procurado pela polícia se apresentou ontem à 5ª Delegacia de Polícia, foi ouvido pela delegada Patrícia Farias e depois liberado por não ter sido preso em flagrante. Ele chorava muito, pediu desculpa à família da vítima e justificou o ato dizendo ser "analfabeto". O travesti será indiciado por homocídio culposo no inquérito aberto pela delegada Patrícia.Outra vítimaA deputada também ouviu uma travesti conhecida como Érica que recebeu injeções de silicone de "Piroco", mas não teve maiores problemas. Érica revelou outro detalhe assustador da "técnica" usada pelo acusado: para fechar os ferimentos, "Piroco" utilizava além de esmalte de unha, cola Superbonder. A polícia descobriu que o travesti fez outra vítima, o homossexual Carlos Castro que precisou extrair os seios devido à infecção provocada pelo silicone de carro. Durante a investigação o cabeleireiro Reginaldo Souza Santos, conhecido como "Marla" foi preso anteontem à noite, acusado de manter uma pequena sala para aplicar silicone industrial em travestis no Bairro da Barra, de classe-média alta de Salvador. Reginaldo cobrava R$ 350 por aplicação e após depor também foi liberado para responder o processo por exercício ilegal da medicina, em liberdade. A Associação dos Travestis de Salvador (Atras) divulgou nota informando que Rosângela é a terceira vítima fatal este ano no Brasil, da aplicação de silicone industrial. As duas primeiras foram uma travesti conhecida como "Tatiani", de Assis (SP) e a outra a cabeleireira Ingrid Barbosa, de Belo Horizonte. A entidade elaborou um folheto que distribui entre os travestis de Salvador, alertando para os riscos da aplicação de silicone por aventureiros.

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