Morre mais uma paciente de médico suspeito

Morreu a quinta paciente do cirurgião Marcelo Caron, após realïzação de cirurgia de lipoaspiração. A estudante Graziela Murta de Oliveira, de 26 anos, estava internada desde o dia 16 de janeiro na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Helena, dias após ser operada por Caron. A primeira paciente morreu em março de 2001, em Goiânia. A história de suspeitas de erros médicos voltou a ocupar espaço na mídia, no início do mês, com a morte de Adcélia de Souza, pouco depois de também ser operada por Caron. Ele responde pela morte de outras duas pacientes em Goiás. "Ele tem que, de preferência, ser preso", reagiu a irmã de Graziela, Patrícia Murta de Oliveira. Ela contou que a irmã recebeu referência do médico numa clínica de massagem. "Ficamos muito assustados quando Adcélia morreu", lembra Patrícia. Somente então conheceram o histórico de Caron. Além das mortes, Caron é alvo de denúncia de outras 35 pessoas no Conselho Regional de Medicina de Goiás, que apontam erros em cirurgias do abdome, seios e pernas. Caron diz que a avalanche de denúncias foi provocada pela mídia, porque anunciou que ele se comprometia a fazer reparação gratuita nas pacientes insatisfeitas, depois do acordo selado com o Ministério Público de Goiás. "Sou inocente", garante o médico, apesar das cinco "coincidências fatais". Segundo ele, nenhum caso é ligado a outro. De acordo com a versão do médico, a primeira paciente teria morrido de problemas cardíacos, a outra de embolia e infecção generalizada. Caron diz que irá provar sua inocência no caso de Adcélia - ele tenta responsabilizar um cardiologista da emergência do Hospital Anchieta de Brasília pela hemorragia que causou a morte da paciente. Quanto a Graziela, ele a acusa de não ter seguido as recomendações prescritas sobre alimentos, curativos e higiene. "Essa paciente não fez nada do que eu mandei", disse o médico, a caminho da 21.ª Delegacia de Polícia, onde seria indiciado por homicídio doloso.Complicações Graziela não era gorda, mas mesmo assim sentiu necessidade de fazer a lipoaspiração, conta sua irmã Patrícia. Ela foi operada por Caron no início de janeiro, teve alta, mas acabou sendo internada com febre alta e vermelhidão nas pernas. Boletim médico divulgado no final da manhã informa que Graziela morreu às 6h05. O tratamento com antibiótico "de amplo espectro" não conseguiu debelar a infecção generalizada. O quadro complicou-se com uma pneumonia, choque séptico, insuficiência renal aguda e acidente vascular cerebral. A família se surpreendeu com a morte de Graziela. Na maior parte do tempo em que esteve na UTI, sempre perguntava quando teria alta, conta a sua irmã Patrícia. Mas há uma semana estava em coma.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.