Alice Vergueiro / Abraji
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Morre aos 76 anos o jornalista Clóvis Rossi

Conhecido e respeitado internacionalmente,trabalhava na Folha de S.Paulo desde 1980 e foi editor-chefe do ‘Estado’

Jéssica Otoboni e Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2019 | 05h55
Atualizado 15 de junho de 2019 | 00h28

SÃO PAULO – Morreu na madrugada desta sexta-feira, 14, aos 76 anos, Clóvis Rossi, um dos mais prestigiados jornalistas do País. Desde 1980 na Folha de S.Paulo – era colunista e integrava o Conselho Editorial do jornal –, trabalhou nos principais veículos do País, entre eles o Estado, onde foi editor-chefe. A morte de Rossi foi confirmada pela família nas redes sociais do jornalista. Segundo a Folha, Rossi morreu em casa, onde se recuperava de um enfarte ocorrido na semana passada. 

Ele publicou sua última coluna no jornal na quarta-feira. No texto, intitulado Boletim Médico, informou aos leitores que havia sofrido um ataque cardíaco e, por isso, não havia publicado sua coluna no último domingo. “É uma satisfação devida ao leitor, se é que há algum. Sofri um micro-infarto na sexta, 7, fiz a angioplastia, recebi um stent e, na terça, 11, outra angioplastia, com mais quatro stents”, explicou.

Rossi nasceu em São Paulo em 25 de janeiro de 1943 – e começou a carreira de jornalista em 1963. No Estado, atuou em diversas coberturas internacionais (uma de suas especialidades) – leia ‘A epidemia do silêncio’: texto de Clóvis Rossi censurado em 1974. Atuou também no Correio da Manhã, na revista IstoÉ, no jornal espanhol El País (onde manteve um blog) e, por último, na Folha de S.Paulo.

Rossi ganhou diversos prêmios internacionais de jornalismo, entre eles o Maria Moors Cabot, da Universidade Columbia, pelo conjunto da obra, e o da Fundação Nuevo Periodismo Ibero-Americano, criada por Gabriel García Márquez. Também escreveu livros: Clóvis Rossi, Enviado Especial, 25 Anos ao Redor do Mundo e O que é Jornalismo

Palmeirense, também era torcedor do Barcelona, onde morou. Deixa mulher, três filhos e três netos. O enterro será neste sábado, às 11h, em São Paulo.

Repercussão

Diretor de jornalismo do Grupo Estado, João Caminoto lamentou profundamente a morte do colega. “Uma pessoa excepcional, com quem tive o privilégio de conviver durante meus anos de correspondente na Europa. Um dos jornalistas mais competentes e completos que conheci.”

“Rossi deixou o Estado em 1977. Fui reencontrá-lo várias vezes em aventuras no exterior, quase sempre para cobrir golpes militares e guerrilhas”, disse o repórter do Estado José Maria Mayrink. 

Sérgio Dávila, diretor de Redação da Folha, diz que o Brasil perdeu um de seus principais repórteres. “Clóvis era admirado por gerações de profissionais por sua independência de pensamento, disposição e rapidez de trabalho e qualidade de cobertura. Vai fazer muita falta”.

A jornalista Eliane Cantanhêde, colunista do Estado que trabalhou com Rossi, publicou um texto relembrando momentos que passou com o colega. “Um querido amigo, desses que a gente passa anos sem ver e, quando vê, troca aquele abraço demorado, gostoso. Eu o chamava, até em textos, de “grandalhão”. Um gigante como jornalista, pessoa e amigo”.

Colunista do Estado e editora do BR18, Vera Magalhães afirmou que morreu o jornalista que ela mais admirava. “Meu padrinho no programa de novos jornalistas da Folha. Meu companheiro de feijão nos almoços dos editoriais. RIP Clóvis Rossi, um colosso brasileiro.”

A jornalista Miriam Leitão, da GloboNews e colunista do jornal O Globo, manifestou em sua conta no Twitter o pesar pela morte de Rossi. “Morreu um dos grandes do jornalismo. Clóvis Rossi é um ícone, de alta competência. Suas análises tinham sempre muita informação porque permaneceu sendo repórter por toda a sua vida. Rossi era mestre e suas lições ficam”, escreveu.

O escritor e jornalista Gilberto Dimenstein, que atuou na Folha de S. Paulo por quase 30 anos e foi colega de Rossi, foi outro a elogiá-lo. “Não conheci um único jornalista que não admirasse Clóvis Rossi. Tinha a garra de um foca e sabedoria de um veterano. Com ele, morre não apenas um grande ser humano. Mas um estilo de jornalista.” 

Para o governador de São Paulo, João Doria, o jornalismo brasileiro perde um de seus principais expoentes. “A compreensão do mundo fica mais difícil sem o olhar dedicado e racional de Clóvis Rossi. Meus sentimentos e solidariedade aos amigos e familiares”, escreveu em seu Twitter.

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