Morre ACM, mas linhagem dos ''coronéis'' vive, diz ''Economist''

Revista diz que ''evolução, não revolução'' está mudando a política brasileira.

BBC Brasil, BBC

26 de julho de 2007 | 18h38

A revista britânica The Economist, na edição publicada nesta quinta-feira, traz um artigo sobre a morte do senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), dizendo que "de algumas maneiras, o senhor Magalhães, o ''imperador da Bahia'', era um dos últimos de sua linhagem"."Para alguns brasileiros, sua morte no dia 20 de julho aos 79 anos marca o fim de uma era - a do coronelismo, o domínio dos líderes políticos à antiga conhecidos como ''coronéis''", diz o artigo, intitulado Extintos ou apenas se adaptando?A Economist reconhece o legado benéfico de ACM para a Bahia, dizendo que ele liderou o Estado num período de modernização industrial e que ele "era genuinamente adorado por muitos baianos"."Mas ele era freqüentemente ditatorial e podia ser vingativo", continua o artigo. A Economist diz que o senador vinha perdendo poder político, com a morte, em 1998, de seu filho Luís Eduardo Magalhães, cotado para o Planalto, e derrotas de políticos que ele apoiou em eleições importantes nos últimos anos."Outros caciques tradicionais estão em declínio também. José Sarney (...) conseguiu se reeleger por pouco para o Senado no ano passado. Sua filha, Roseana, também cotada como futura presidente, perdeu a eleição para o governo do Maranhão."Segundo a revista, vários fatores explicam o enfraquecimento dos coronéis, entre eles um maior acesso da população à educação e programas sociais como o Bolsa-Família, que tornaram os eleitores menos dependentes dos favores oligarcas locais.Mas o Brasil ainda não estaria livre da influência desses líderes. "Nas partes mais atrasadas do país, carisma pessoal e apadrinhamento ainda podem superar ideologia e organização", diz o artigo."O sistema partidário é fraco, com 21 partidos representados no Congresso. Legisladores regularmente trocam (de partido) entre eles. Em um grande país, em que cada Estado é um único distrito eleitoral, ter um nome reconhecido é crucial." Mesmo assim, a Economist acredita que a "política brasileira está muito mais competitiva do que costumava ser" e que novos líderes locais não devem dominar seus Estados como ACM costumava dominar a Bahia."Evolução, não revolução, está lentamente acabando com o cacique político brasileiro", conclui a revista.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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