Morre a jornalista e empresária Niomar Moniz Sodré

Morreu hoje, no Hospital Samaritano, a jornalista e empresária Niomar Moniz Sodré Bittencourt, ex-dona do Correio da Manhã. Ela tinha 87 anos e era vítima de mal de Alzeihmer. Ela assumiu o jornal carioca Correio da Manhã logo depois da morte de seu marido, Paulo Bittencourt, e foi uma das figuras fundamentais da luta contra a ditadura militar. Nascida em Salvador, filha de um deputado federal progressista, Niomar começou a escrever ainda na adolescência. Aos 17anos, casou-se e teve um filho. Aos 24, já separada, foi trabalhar no Correio da Manhã, que sempre defendeu a democracia e a liberdade de idéias. Colunista de política, segundo informações do site do Jornal do Brasil, Niomar apaixonou-se por Paulo Bittencourt, dono do jornal. Os dois casaram-se e viveram juntos até a morte dele, em 1963. Em 1948, Niomar e Paulo foram os fundadores do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio. No museu,durante anos, N iomar exerceu vários cargos como diretora executiva e presidente de honra. A partir do golpe militar de 1964, Niomar, já na direção do jornal, enfrentou corajosamente a ditadura. Não mudou a sua vocação liberal. ´O Correio não foi uma herança material, mas uma herança moral´, gostava de dizer. Em 1969, ela foi presa, teve os direitos políticos cassados pelo AI-5, sendo absolvida no ano seguinte. Também em 1969, o Correio da Manhã foi transferido para um grupo empresarial, já que vinha sofrendo muitas pressões políticas e econômicas. Em conseqüência do endividamento dos arrendatários e a recusa de Niomar em retomar ao jornal, foi decretada falência do Correio da Manhã, parando de circular em julho de 1974. Durante dez anos, aproximadamente, Niomar viveu em Paris, só retornando ao Br asil, ao Rio, em 1984, quando já estava com o Mal de Alzeihmer. O arquivo de Niomar está no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc) da Fundação Getúlio Vargas, no Rio. O velório acontece amanhã, das 7h ao meio-dia, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Na parte da tarde, o corpo será cremado no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, Zona Portuária do Rio.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.