ALEX SILVA | ESTADAO CONTEUDO
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Moro traçou plano de criminalização da política e foi o rei das manifestações, diz Wagner

Ministro da Casa Civil salientou ainda que os protestos mostraram a negação da política, pois 'os parlamentares da oposição não tiveram beneplácito'

Carla Araújo, Tânia Monteiro e Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

14 de março de 2016 | 15h08

Brasília - O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, afirmou nesta segunda-feira, 14, que o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato na primeira instância, pretende “criminalizar a política”. Para ele, o magistrado foi “o rei da festa”, em referência aos protestos de anteontem pelo País. 

O ministro reconheceu o vigor das ruas nos atos contra o governo, mas destacou que os líderes de oposição também foram hostilizados, que as manifestações foram “produzidas” e “patrocinadas por empresas” e, além disso, afirmou que aqueles que foram às ruas ainda são majoritariamente eleitores do tucano Aécio Neves, derrotado por Dilma em 2014. “O Aécio achou que ia chegar lá como rei da festa, mas o rei da festa foi o Moro (Sérgio)”, declarou Jaques Wagner. “Quem tentou faturar em cima da manifestação, não conseguiu”, completou.

Segundo ele, o fato de dirigentes de oposição terem sido hostilizados no protesto preocupa o governo federal e “acende a luz amarela” para toda classe política. Em sua avaliação, a negação da política é “altamente perigosa” e pode gerar a “criminalização da política”. “Pelo andar da carruagem, nós estamos nos preparando para um salvador da pátria. Como não acredito nele, acho que estamos nos preparando para a criminalização da política”, disse. 

Wagner reconheceu que “não dá para banalizar” o instrumento democrático do impeachment, mas afirmou que a democracia pode estar em risco. “Impeachment não é remédio nem para arrumar a economia nem para tirar uma presidente por causa de impopularidade.” 

O ministro disse ainda que “sem desmerecer” o clamor das ruas, é preciso destacar que “nunca tivemos uma manifestação tão produzida”. Questionado sobre quem teria bancado os eventos, Wagner afirmou que “federações, comércios e muita gente ligada à oposição que investiu”. “A convocação dentro de fábrica e mais um monte de coisas. Catraca livre, a mudança do jogo de futebol. É quase um apelo de “estou liberando tudo para você ir lá””, declarou. 

 

 

Diário da Crise: editor do Politica Estadão fala sobre divulgação de depoimento de Lula à PF e o impacto dos protestos no impeachment #EstadaoPublicado por Estadão em Segunda, 14 de março de 2016

“Não estou desmerecendo por conta disso, mas, pelo amor de Deus, não me venham falar que espontaneamente as pessoas foram. Quero chegar no ponto de equilíbrio.”

Para o ministro da Casa Civil, o empresário está cansado da indefinição e desde janeiro de 2015 “a oposição tem uma agenda única: impeachment, impeachment, impeachment”. 

Comparações. O governo rechaçou as comparações dos atos de domingo com os protestos das Diretas-Já, dizendo que essa análise “é absolutamente indevida”. “Do ponto de vista motivacional, é totalmente diferente. Naquela, a gente tentava construir a possibilidade de retorno da democracia. Nessa aqui, a gente tem uma agenda que considero sempre negativa, porque ela não tem uma proposição, ela tem uma ‘tira fulana’ e pronto. Isso não vai resolver o problema do Brasil”, afirmou. 

Ele também ressaltou que o processo de impeachment da presidente Dilma não pode ser comparado com o do ex-presidente Fernando Collor de Mello. “É péssima essa comparação.” “Ali havia efetivamente caso de corrupção ligado à Presidência, o que não é o caso agora. Não tem nenhum crime de responsabilidade atribuído à presidente Dilma, o processo está sendo muito mais político, de tentar consertar a economia com impeachment”, completou.

Afastamento. Wagner reconheceu que as manifestações devem ter animado a oposição a trabalhar pelo afastamento de Dilma, mas reforçou que o governo continua confiante que tem os 172 votos para barrar o apoio do processo ainda na Câmara dos Deputados. “Acho que teremos mais do que isso.”

Para o ministro, Eduardo Cunha, presidente da Casa, se move “por raiva”. Na opinião do ministro, o deputado atribui à presidente Dilma responsabilidades sobre as investigações contra ele. “Ele acha que foi a presidente Dilma quem o atrapalhou, como se ela tivesse poder sobre a Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal ou o Ministério Público. E o troco que ele quer dar é: ‘a senhora vai antes de mim’”.

 

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