Moro solta ex-secretário do PT e mantém prisão de Ronan

Para juiz, empresário não explicou dinheiro usado na compra de jornal;Moro manda Silvinhoentregar passaporte

O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2016 | 09h18

O juiz Sérgio Moro mandou soltar o ex­secretário­geral do PT Silvio Pereira, o Silvinho, e manter preso o empresário Ronan Maria Pinto – dono do jornal Diário do Grande ABC e empresas de ônibus. Eles estavam detidos temporariamente, em Curitiba, desde que foi deflagrada a 27.ª fase das investigações. Os dois são suspeitos pela lavagem de R$ 6 milhões de um total de R$ 12 milhões emprestados pelo banco Schahin.

O Ministério Público Federal havia pedido a conversão das prisões temporárias dos dois alvos, que venciam ontem, em preventivas (sem prazo). Os procuradores encontraram documentos de empresas offshores que seriam ligadas a Ronan e podem ter sido usadas para a ocultação de patrimônio.

O dinheiro é parte de um empréstimo de R$ 12 milhões feito pelo pecuarista José Carlos Bumlai, em 2004, em nome do PT. O dinheiro nunca foi pago formalmente. Silvinho teria sido um dos nomes do PT envolvidos na suposta fraude.

Ao depor à Polícia Federal, Ronan disse “desconhecer o empréstimo”. “Declarou que fez um empréstimo de seis milhões de reais com a empresa Via Investe, de Breno Fischberg (acusado no caso do mensalão). Recebeu, porém, R$ 5,7 milhões, mas da empresa Remar Agenciamento. Não explicou o motivo do empréstimo ser concedido por outra empresa”, diz Moro.

O juiz justificou a prisão de Ronan afirmando que “o histórico criminal, com cinco ações penais e pelo menos uma delas com condenação por crimes graves, ainda que sem trânsito em julgado, indica risco à ordem pública, especificamente de reiteração criminosa”.

Para o juiz, reforça esse receio a possível ligação do esquema com casos de corrupção em Santo André. Sobre Silvinho, Moro diz que estavam “ausentes os pressupostos” para a manutenção da prisão. Silvinho não poderá deixar o País e deve entregar o passaporte em três dias. O Estado não localizou os advogados dos dois. / R.B. e J.A.

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