Reprodução/Facebook
Reprodução/Facebook

Moro vai prender corruptos com 'rede de arrastão', diz Bolsonaro

Em vídeo transmitido pelo Facebook, presidente eleito reafirma que dará 'carta branca' para juiz federal trabalhar e critica o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)

Ana Neira e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2018 | 18h55

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), prometeu um intenso combate à corrupção durante seu governo com o juiz federal Sérgio Moro à frente do Ministério da Justiça. "Moro vai pegar vocês, corruptos. Antes ele pescava de varinha, agora vai ser com rede de arrastão de 500 metros", afirmou durante live realizada em sua conta no Facebook nesta sexta-feira, 9.

Ele também disse que Moro terá carta branca para trabalhar e voltou a dizer que conversou com o juiz somente após o segundo turno das eleições 2018. Antes, ele disse que a única interação entre os dois havia sido meses antes em uma conversa rápida em um aeroporto. Com isso, Bolsonaro afasta questionamentos sobre interferências no processo eleitoral e a possibilidade de que o convite para assumir o ministério tivesse sido feito antes da hora.

"Conversei uma vez com ele tem uns oito ou dez meses atrás, no aeroporto. Alguns dias depois ele ligou para mim, conversamos por uns dez minutos. Durante a campanha toda, nunca conversei com Sérgio Moro. Fui conversar com ele depois do segundo turno das eleições. Ele veio na minha casa, apresentou o que queria caso aceitasse o ministério da Justiça. Não tenho como falar não", disse. 

Um braço do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), atualmente inserido no Ministério da Fazenda, irá para a Justiça, porque, para combater a corrupção e o crime organizado, Moro deverá "seguir o dinheiro", disse o presidente eleito.

"Ele quer que a Polícia Federal realmente esteja sob o seu guarda-chuva. Para isso tive que trazer o Ministério da Segurança para dentro da Justiça. Então, ele vai ter toda liberdade para combater a corrupção e o crime organizado", afirmou Bolsonaro.

Bolsonaro critica questão do Enem sobre LGBTs

Bolsonaro aproveitou para criticar o que ele chama de ensino da ideologia de gênero nas escolas e o atual modelo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Neste ano, a prova trouxe temas como feminismo, ditadura militar e gírias do universo LGBT: "O que interessa a linguagem daquelas pessoas? Podem ter certeza que não vai ter questão deste tipo ano que vem, apenas o que interessa ao futuro do nosso Brasil. Queremos que a molecada aprenda algo que dê futuro. Quer ser feliz com outro homem ou outra mulher, tudo bem, mas não fica enchendo o saco no escola", afirmou.

O futuro presidente também confirmou que retornará a Brasília na próxima semana, apesar do feriado, para continuar os trabalhos da equipe de transição. Ele prometeu que os nomes dos ministros da Educação, Saúde e Relações Exteriores serão anunciados nos próximos dias.

Exploração da Amazônia

Na transmissão, Bolsonaro demonstrou interesse em permitir que empresas de alguns países explorem os recursos naturais da Amazônia. Ele questionou "por que não fazer acordo" para explorar a região "sem viés ideológico". 

Nos 40 minutos de sua fala, durante a qual por diversas vezes criticou a gestão do meio ambiente no Brasil, Bolsonaro afirmou que o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) cometem "caprichos". O presidente eleito ainda disse que pretende avançar com o turismo em áreas protegidas ambientalmente para garantir que não sejam abandonadas. 

"Se tivesse hotéis em áreas protegidas, o meio ambiente estaria preservado. O turismo preservaria o meio ambiente e não essa forma xiita do Ibama", afirmou. 

Embora demonstre interesse em explorar a Amazônia, Bolsonaro não informou quais setores e países teriam acesso à região em seu governo. Mais uma vez, apenas citou o mercado de nióbio, que, segundo o presidente eleito, "não será privatizado". Disse ainda que "parece que 40% das multas (ambientais) aos produtores” vão para organizações não governamentais. "Não vai ter ativismo", acrescentou.

Discussão sobre maioridade penal

Jair Bolsonaro demonstrou intenção de propor ao Congresso a redução da maioridade penal de 18 para 17 anos, numa demonstração de que tentará chegar a um acordo com o ministro da Justiça indicado por ele, o juiz Sérgio Moro. Bolsonaro gostaria que adolescentes de 16 anos já respondessem por crimes como qualquer adulto, enquanto Moro defende a redução apenas para casos de crimes graves, como homicídio, lesão corporal grave e estupro. 

Bolsonaro ainda defendeu a escolha da deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS), integrante da bancada ruralista, para o ministério da Agricultura e contou que aceitou prontamente o nome assim que recebeu a indicação. Afirmou ainda que não "houve recuo na questão da fusão" com o ministério do Meio Ambiente. "O entendimento depois foi de que seria melhor separado. Agora, quem vai indicar o ministro do Meio Ambiente será Jair Messias Bolsonaro", afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.