MARLON COSTA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS(2018)
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Moro pede para PF avaliar proteção a irmão de Eduardo Campos

Antônio Campos protocolou um pedido de 'garantias de vida' ao Ministério da Justiça; ele afirma estar sofrendo ameaças de morte que após depoimento dado ao MPF 'sobre relevantes fatos acerca de gestões do PSB em Pernambuco'

Vinícius Valfré, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2020 | 19h19

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Sérgio Moro, determinou nesta quarta-feira, 12, que a Polícia Federal examine a necessidade e a viabilidade da oferta de proteção policial ao presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Antônio Campos, irmão do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em 2014.

À frente da entidade ligada ao Ministério da Educação, Antônio Campos protocolou no ministério, na terça-feira, por meio de advogados, um pedido de "garantias de vida". "Estarei protocolando, na data de hoje (terça-feira), requerimento perante o ministro da Justiça comunicando os fatos de forma circunstanciada e pedindo as garantias de vida e as prerrogativas de testemunha juramentada não ser intimidada", disse, em nota.

Segundo Tonca, como é conhecido, ele vem sofrendo ameaças de morte que teriam se intensificado após depoimento que prestou ao Ministério Público Federal, na condição de testemunha, "sobre relevantes fatos acerca de gestões do PSB em Pernambuco". Ele não informou, no entanto, de quem partem as ameaças.

Moro também determinou a realização de uma "análise de risco, se for o caso, com a urgência que o caso requer". O ministro garantiu que tão logo haja um desdobramento sobre a avaliação da PF o presidente da fundação terá conhecimento do desfecho. 

Tonca está no centro de uma briga política e familiar em Pernambuco. Como presidente da fundação, ele colabora com o governo Bolsonaro, que é criticado pelo sobrinho, o deputado federal João Campos (PSB-PE). 

João fez dura crítica ao tio, em dezembro, na Câmara, durante embate com o ministro da Educação, Abraham Weintraub. "Ele é sujeito pior que você", disparou o filho de Eduardo Campos, em referência ao tio. O ministro havia lembrado ao parlamentar Antônio faz parte do governo que ele tanto critica, como presidente da Fundação Joaquim Nabuco.

Tonca reagiu por meio de uma nota na qual acusou o sobrinho de ter sido  “nutrido na mamadeira da empresa Odebrecht”. Disse, ainda, que Pernambuco precisava conhecer o “lado obscuro” do sobrinho e de Renata Campos. João é considerado um representante da “nova política”, ao lado dos deputados Tabata Amaral (PDT-SP) e Felipe Rigoni (PSB-ES).

Avó de João e mãe de Antônio e Eduardo Campos, a ministra do Tribunal de Contas da União (TCU) Ana Arraes, em seguida, entrou na briga em defesa do filho. Em entrevista à Rede Nordeste de Rádios, disse ter ficado “entristecida” e “indignada” com a “má educação” e com a “prepotência” do neto, com quem parou de falar.

Ao Estado, Antônio admitiu que a confusão não é boa para a família, mas continuou com as críticas e provocou o sobrinho. “Ele quis se mostrar para a sua nova namorada, a deputada Tabata Amaral”, disse o tio. “Foi um ataque gratuito porque estava fora do contexto. Fui o homem que mais defendeu o pai dele, inclusive no complexo caso dos precatórios, em que Eduardo teve denúncia rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal. E, hoje, eu o vejo abraçado e defendendo vários que chamavam o pai dele de ladrão. Não consigo entender.” João Campos não se manifestou sobre a confusão.

A disputa pela Prefeitura do Recife

Há, ainda, outro conflito em vista na família Campos-Arraes. A disputa pela prefeitura do Recife na eleição municipal deste ano deve colocar em lados opostos os dois principais herdeiros políticos do ex-governador Miguel Arraes, que morreu em 2005, e do ex-governador Eduardo Campos, falecido em 2014.

O deputado federal João Campos (PSB), de 26 anos, foi escolhido pelo partido disputar a capital pernambucana. Sua principal adversária, no entanto, é a também deputada Marília Arraes (PT), 35 anos, que é neta de Arraes e prima de segundo grau de João. 

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