Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Moro na Câmara: Perguntas feitas pelos deputados e que ficaram sem resposta

Ex-juiz compareceu à Câmara dos Deputados para esclarecer os supostos diálogos entre ele e procuradores da Lava Jato

Vinícius Passarelli, especial para O Estado

03 de julho de 2019 | 14h11

O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, prestou esclarecimentos em sessão na Câmara dos Deputados, nesta terça-feira, 02, sobre os diálogos atribuídos a ele, quando era juiz, e procuradores da Lava Jato - entre eles o chefe da força tarefa de Curitiba, Deltan Dallagnol - que vêm sendo divulgados pelo site The Intercept Brasil.

Em sabatina tumultuada, de mais de sete horas, Moro repetiu os principais argumentos que apresentou para os senadores, de que não reconhece a autenticidade das mensagens, que foi vítima de uma invasão criminosa com o objetivo de enfraquecer a Operação Lava Jato e o combate à corrupção e de que não orientou procuradores. No entanto, não respondeu a alguns questionamentos.

Investigação sobre Glenn Greenwald

O principal deles foi se a Polícia Federal - vinculada ao Ministério da Justiça - solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) - ligado à Economia - um monitoramento sobre as movimentações financeiras de Glenn Greenwald, o jornalista responsável pelos vazamentos das conversas. A informação foi publicada pelo site O Antagonista. Indagado, Moro não confirmou, mas também não negou.“A Polícia Federal tem absoluta autonomia. Eu não interfiro nessas investigações específicas. Não é o caso, para mim. Eu não participo dessas investigações específicas”, disse o ex-juiz.

Conversas com advogados de defesa

Assim como no Senado, Moro não entrou no mérito dos conteúdos da mensagens, alegando que não poderia reconhecer sua autenticidade e que não lembra dos diálogos, ao mesmo tempo em que evita dizer que são falsos e afirma que o que foi vazado até agora não compromete sua atuação como juiz. Para ele, conversas entre magistrados e procuradores é “trivial”. O ministro, no entanto, não respondeu se destinava aos advogados de defesa o mesmo tratamento dado aos membros da acusação, dizendo apenas que chegou a dar algumas sugestões a advogados durante audiências.

Mensagens por áudio com procuradores

Moro também não respondeu à pergunta do deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) se ele havia trocado mensagens de áudio com procuradores, uma vez que, segundo o deputado, seriam mais difíceis de ser esquecidas. Diante da insistência de Freixo, o ministro novamente disse que as mensagens podem ter sido adulteradas.

Negação das mensagens

O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) indagou se Moro, não só não confirmava, mas negava “peremptoriamente” alguma das mensagens. O ex-juiz disse que há indícios de adulteração em algumas mensagens.

Relação com advogado

Em um dos momentos de maior ofensiva do ministro, ele respondeu à deputada Gleisi Hoffmann (PT-RS) que o questionamento se ele mantinha uma conta no exterior era “uma maluquice” e que “repudiava” a pergunta da presidente nacional do PT sobre suas relações com o advogado trabalhista Carlos Zucolotto - a quem o doleiro Tacla Duran, denunciado na Lava Jato, atribui supostos diálogos para intermediar sua delação. “Não sou eu que sou investigado por corrupção”, respondeu. /COLABOROU RENATO ONOFRE

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