WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Para Moro, iniciativa privada tem condições de liderar movimento contra corrupção no país

Juiz responsável pela condução da Lava Jato acredita que setor está em posição muito melhor do que o poder público, que é sujeito a mecanismos e entraves burocráticos

ELIZABETH LOPES, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 13h37

SÃO PAULO - O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações de primeira instância da Operação Lava Jato, afirmou nesta sexta-feira, 28, que a iniciativa privada é quem tem as melhores condições de liderar um movimento contra a corrupção no País. Na sua avaliação, o setor está numa posição muito melhor do que o público, sujeito a mecanismos e entraves burocráticos.

Ao falar de escândalos como o revelado pela Lava Jato, Moro disse que não se pode esperar que a justiça criminal resolva o problema da corrupção no Brasil, e destacou que é preciso não se acomodar, seja como poder público, privado ou como cidadão. "O futuro não está escrito, vamos confiar, desconfiando".

Convidado pela Procuradoria da República, em São Paulo, para a palestra "Aspectos Controvertidos do Crime de Lavagem de Dinheiro", Moro traçou um paralelo entre a Operação Mãos Limpas, deflagrada no início dos anos 90 na Itália, com a operação que conduz no Brasil.

Sem citar especificamente a operação que investiga o esquema de corrupção na Petrobrás, Moro lamentou que algumas oportunidades tenham sido perdidas na Itália, citando como exemplo uma lei que anistiou alguns corruptos.

Apesar do alerta, frisou que o futuro não está escrito e que, se algumas oportunidades foram perdidas após a Mãos Limpas na Itália, "não necessariamente devem ser perdidas aqui no Brasil". E disse que, para que isso ocorra, depende mais pressão da própria sociedade do que do poder público.

O juiz que conduz a Lava Jato não deu entrevista coletiva, mas respondeu a algumas perguntas que foram enviadas por escrito após o final de sua palestra. Ao falar do bilionário e ex-primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi, que a despeito de todas as evidências de corrupção que pesavam contra ele ficou por três mandatos no poder, antes de renunciar em 2011, Sérgio Moro disse não crer que as conquistas já obtidas no Brasil se percam e propiciem que "um aventureiro" assuma o comando do País. 

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