Moro elogia e Doria critica fala na ONU

Moro elogia e Doria critica fala na ONU

Citado, ministro da Justiça classifica discurso de Bolsonaro como ‘assertivo’; governador de SP diz que o texto foi ‘inadequado’ e ‘inoportuno’

Thiago Faria e Paula Reverbel, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2019 | 22h52

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) – dois nomes já cotados para a disputa presidencial de 2022 –, emitiram opiniões opostas sobre o discurso do presidente Jair Bolsonaro na 74.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas. Citado pelo presidente, Moro classificou o discurso como “assertivo”. Já Doria afirmou que o texto lido por Bolsonaro foi inadequado” e “inoportuno”. 

O ministro elogiou a abordagem de temas como “soberania, liberdade, democracia, abertura econômica, preservação da Amazônia, oportunidades e desenvolvimento para a população brasileira”. Moro se manifestou ontem em seu perfil no Twitter. “Na ONU, PR @jairbolsonaro reitera ao mundo seu compromisso contra o crime e a corrupção”, escreveu o ex-juiz da Lava Jato.

No discurso, Bolsonaro chegou a creditar a Moro o julgamento e a punição de “presidentes socialistas que me antecederam”, a quem ele acusou de desviar “centenas de bilhões de dólares comprando parte da mídia e do Parlamento”. Quando era juiz federal de Curitiba, Moro sentenciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que hoje cumpre pena. O petista já discursou na ONU em 2003, 2004, 2006, 2007, 2008 e 2009.

Durante entrevista coletiva ontem em São Paulo, o governador João Doria disse que o discurso de Bolsonaro é “sem referências que pudessem trazer respeitabilidade e confiança ao Brasil, no plano ambiental, no plano econômico e no plano político”. “Lamento que o presidente tenha perdido mais uma oportunidade para o Brasil”, declarou o governador, para quem a fala do presidente brasileiro estava carente de “bom senso” e “humildade”.

Para Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e candidata derrotada nas três últimas eleições presidenciais, Bolsonaro tentou “negar a realidade dos fatos”. Para ela, o presidente “atacou os povos indígenas ao contestar a liderança do cacique Raoni, como se fosse peça de manobra de governos estrangeiros, e sugeriu o absurdo de que as queimadas na Amazônia podem ter sido causadas por uma prática cultural dos índios e das populações locais”.

Congresso

O discurso dividiu opiniões no Congresso. Para parlamentares alinhados ao governo, a fala foi “própria de estadistas”, enquanto opositores demonstraram desconforto.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) classificou o discurso do presidente como “deplorável”. Para ele, Bolsonaro rompeu a tradição multilateral brasileira e errou gravemente ao atacar povos indígenas. “Envergonhou o Brasil, rompeu a tradição multilateral brasileira, atacou nações amigas do Brasil tradicionalmente, como a França. Se colocou sujeito aos Estados Unidos e não teve a reciprocidade no discurso seguinte, de Donald Trump.”

O PT divulgou nota em que classificou o discurso como “de um deprimente espetáculo”. “O Partido dos Trabalhadores teve a honra e a responsabilidade de levar dois presidentes à ONU e ambos – Lula e Dilma Rousseff – proclamaram na Assembleia-Geral os valores da paz, do diálogo entre povos”, diz o texto. No lugar disso, segundo a nota, “Bolsonaro despeja seu ódio virulento”.

Já o deputado Marco Feliciano (Podemos-SP), aliado de Bolsonaro, avaliou o pronunciamento como “histórico”. “Nosso Brasil entrou definitivamente para o grupo das nações que ditam os rumos da humanidade!”, escreveu no Twitter.

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