Moro é tratado como 'herói nacional' em Brasília

Neste domingo, 13, 100 mil pessoas foram à Esplanada dos Ministérios segundo o Governo do Distrito Federal

Eduardo Rodrigues, Daniel Carvalho, Júlia Lindner e Leonêncio Nossa, O Estado de S. Paulo

13 de março de 2016 | 15h16

Brasília - O ato contra o governo Dilma Rousseff na manhã deste domingo, 13, em Brasília, foi marcado por uma boa presença de manifestantes e o isolamento, pela multidão, de políticos extremistas de direita e pastores evangélicos. Militantes do PT e simpatizantes da presidente aceitaram uma recomendação da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal para não comparecerem ao entorno da Esplanada dos Ministérios, local de concentração do protesto, e não houve confrontos nem qualquer incidente.

Embora o gramado em frente ao Congresso Nacional não tenha sido completamente tomado pela manifestação, a Polícia Militar do Distrito Federal estimou a presença de 100 mil pessoas na Esplanada no auge do protesto, por volta do meio-dia. Apesar das impressões de policiais e de outros agentes públicos sobre o número maior de pessoas ontem em relação a eventos políticos de 2013 e 2015, a PM, no entanto, ponderou, que tem feito alterações na contagem de público.

Desta vez, a instituição contou com drones e novo programa de computador. "Na prática, temos agora oficiais treinados que utilizam um programa de computador para calcular a quantidade de manifestantes a partir de imagens do helicóptero e de dois drones", explicou o coronel Frederico Santiago.

Por volta de 8 horas, o público começou a chegar à Esplanada dos Ministérios, via que liga a rodoviária da cidade ao Congresso Nacional. Durante a manhã, o metrô de Brasília operou de maneira normal, com  número reduzido de composições, como é praxe nos finais de semana. 

O metrô faz o transporte de passageiros do centro da capital à mancha de cidades de baixa renda na área sul do Distrito Federal. Ao mesmo tempo, houve grande fluxo de carros particulares nas vias paralelas à Esplanada, estacionados em áreas proibidas. A maior parte do público no protesto pode ter vindo de bairros de classe média e média alta da região central de Brasília.

O ato de ontem foi maior que o protesto de 15 de março do ano passado, quando a polícia estimou a presença de 45 mil pessoas, e o protesto de 20 de junho de 2013, na jornada das manifestações de rua do final do primeiro mandato de Dilma, estimado na época em 35 mil pessoas.

Ao contrário das manifestações populares dos anos anteriores, a PM não registrou incidentes no protesto. Nas versões passadas, até mesmo o metrô de Brasília teve problemas devido ao grande fluxo de manifestantes vindos das chamadas cidades satélites, como são conhecidas as demais regiões administrativas do Distrito Federal. Desta vez, houve apenas registros de atendimentos do Corpo de Bombeiros a pessoas que passaram mal devido ao calor.

Com a decisão da cúpula do PT no Distrito Federal de  adiar o protesto pró-governo para hoje, segunda-feira, os policiais militares não precisaram se deslocar para a área da Torre de TV. O cartão postal da cidade escolhido previamente pelos petistas para o ato está localizado a apenas 1,5 km da área da Esplanada. 

Ao longo do dia, a polícia manteve de prontidão, nos quartéis e outras unidades em Brasília, 17 mil homens. Entre 6 horas e 13 horas, 1.400 policiais da tropa normal e de grupos especializados atuavam na área do protesto.

Na manifestação, havia um grande número de crianças e idosos. Os cartazes levados pelos manifestantes não faziam menções de apoio a partidos. Na tentativa de aproveitar o espaço do protesto, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que faz carreira política com um discurso virulento contra direitos humanos, subiu num carro de som para exaltar o tempo da ditadura militar e xingar Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Numa cena teatral, Bolsonaro estapeou e chutou um boneco "pixuleco", uma estilização de Lula. Fez ainda insinuações sobre a vida íntima de políticos de esquerda. "Ou eles saem ou vão ver o troco que o nosso exército vai dar", gritou.

O pastor Silas Malafaia chegou a subir no carro de som e iniciar um discurso, mas foi interrompido pelas vaias da multidão. Os organizadores do evento se desesperaram e tentaram antecipar o fim do ato, ativando canhões de papel picado e executando o Hino Nacional. 

Às 12h02, a manifestação estava encerrada. Um grupo  ainda se concentrou em frente ao lago do Congresso, mas, com o reforço de policiais na área, logo se dissipou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.