ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO
ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO

Moro diz que não será candidato à Presidência, mas que pode ser 'cogitado' ao STF

Em 2016, o juiz federal da Lava Jato disse que 'jamais' entraria para a política; em entrevista ao Fantástico neste domingo, voltou a dizer que sua indicação para Justiça é técnica, não política

Marianna Holanda, Fernanda Nunes e Thais Barcellos, O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2018 | 23h57

Futuro ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro, o juiz Sérgio Moro disse neste domingo, 11, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, que não será candidato à Presidência da República. 

O nome do juiz tem sido aventado como um possível sucessor de Jair Bolsonaro na Presidência da República. O dono do SBT, Silvio Santos, disse ontem, após falar ao vivo com Bolsonaro durante um programa, que o País terá oito anos de Bolsonaro, depois oito anos de Moro como presidente.

Questionado se ele poderia ser candidato no futuro, o magistrado negou. "Não, eu estou te falando que não vou ser. Eu não sou um político que... minto. Desculpe. Com todo respeito aos políticos. Mas assim, bons e maus políticos. Mas existem maus políticos que, às vezes, faltam com a verdade. Eu não estou faltando com a verdade", disse. 

Em 2016, Moro afirmou, em entrevista ao Estado, que "jamais" entraria para a política e tem sido criticado pelo fato de deixar a magistratura para assumir a Pasta. O CNJ pediu explicações ao futuro ministro a respeito de sua indicação para o governo. 

O juiz federal, durante a entrevista, voltou a dizer que não vê sua indicação para ministro como sendo política, mas sim, como técnica. Sobre a perspectiva de ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal, o futuro ministro disse que seu nome poderá "ser cogitado" quando surgir uma vaga.

"Às vezes é até um pouco indelicado ficar falando em vaga, em Supremo, quando não existem vagas. É uma perspectiva, uma possibilidade que se coloca no futuro. Quando surgir uma vaga, meu nome pode ser cogitado, como o nome de várias pessoas", afirmou.

Nos quatro anos de mandato de Bolsonaro, o presidente poderá indicar dois nomes para a Corte. Os ministros Celso de Mello  e Marco Aurélio Mello vão devem se aposentador nos próximos anos.

Lula. O juiz negou que haja conflito de interesse entre a atividade que exercerá e a de juiz na Operação Lava Jato, que investiga crimes de corrupção contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista foi impedido de disputar o pleito por causa da condenação no caso do triplex do Guarujá (SP), sentenciada em primeira instância por Moro. "A questão de Lula não pertence mais a mim, mas às cortes de Justiça", afirmou.

"Proferi a decisão referente ao ex-presidente Lula em meados de 2017, nem conhecia o presidente eleito Jair Bolsonaro. Estou indo para consolidar os avanço da Lava Jato em Brasília. Em parte, nas eleições, havia um sentimento muito forte contra o sistema político, que apesar de todos os casos de corrupção, nada fez. O presidente eleito foi identificado como alguém que modificaria esse status quo", afirmou.

Corrupção.  Na entrevista, Moro defendeu ainda o afastamento de ministros investigados por corrupção se as denúncias forem consistentes. "Tem que ser avaliado. Acho que é uma falácia que se ouviu no passado que é preciso esperar o trânsito em julgado. Defendo que em caso de corrupção se analise as provas e faça um juízo de consistência", argumentou Moro, em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo.

Segundo disse, o futuro ministro poderá auxiliar o presidente eleito a tomar uma decisão de afastamento de um ministro acusado de corrupção, se necessário.

"Eu não assumiria o papel de ministro da Justiça com o risco de comprometer a minha biografia, o meu histórico. Isso foi objeto de discussão e a afirmação do presidente eleito é que ninguém seria protegido se surgissem casos de corrupção", afirmou o juiz. 

Em entrevista concedida ao Fantástico, o futuro ministro Sérgio Moro defendeu que se algum de seus colegas de ministério for denunciado por corrupção de forma consistente, o presidente não deve esperar sequer que vire réu e a demissão será imediata. “É possível analisar desde logo a robustez das provas”, afirmou. Ele disse ter ouvido de Bolsonaro a promessa de que não comprometeria seu histórico de combate à corrupção ao aceitar o cargo. O juiz também se manifestou a respeito da prisão de Lula. “Existe essa fantasia de que o ex-presidente teria sido excluído arbitrariamente das eleições”, explicou. “O fato é que ele está condenado e preso porque cometeu um crime. Essa questão pertence à Justiça, não mais a mim. Proferi a decisão em meados de 2017, nem conhecia o presidente eleito Jair Bolsonaro.”

Sérgio Moro também avaliou a situação da criminalidade. O juiz defendeu que a polícia deve começar a produzir investigações mais sólidas em relação às organizações de crime organizado e seus líderes. “O criminoso vai para a cadeia, o policial vai para casa”, disse Moro. “O confronto tem que ser evitado ao máximo". O juiz defendeu que menores de 16 possam ter punições mais rigorosas em casos de crimes de maior gravidade como homicídio. Sobre a possibilidade de mudanças em temas que afetam minorias, Moro disse que não entraria em um governo que atacasse direitos.  Defendeu, também, que o governo deve ser rigoroso com crimes de ódio contra minorias.

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