Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Moro diz que fim da prisão em segunda instância ‘libertou corruptos’

Ex-juiz também criticou a "ineficiência do sistema de justiça", citando a demora no julgamento dos responsáveis pelo incêndio na boate Kiss; prestes a entrar formalmente na política, Moro tem ampliado declarações públicas sobre temas que podem ser centrais numa eventual campanha presidencial

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2021 | 09h47

BRASÍLIA - A dois dias de assinar sua ficha de filiação no Podemos para, possivelmente, se candidatar ao Planalto em 2022, o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro subiu o tom nas críticas ao fim da prisão em segunda instância. A decisão foi tomada dois anos atrás pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e, na avaliação feita por Moro, nesta segunda-feira, nas suas redes sociais, “libertou corruptos”.

Não foi a única crítica feita pelo ex-juiz da Lava Jato em relação ao funcionamento da Justiça. Em referência ao fato de os responsáveis pelo incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, não terem sido julgado até hoje, oito anos depois do ocorrido, Moro culpou a “ineficiência do sistema de Justiça”.

“Marcos da impunidade. O fim da prisão em segunda instância, há dois anos, libertou corruptos. Mas a ineficiência do sistema de justiça também deixa outras tragédias sem resposta, como o incêndio na Boate Kiss, há oito anos. Os responsáveis, até hoje, não foram julgados”, disse Moro.

Prestes a entrar formalmente na política, Moro tem ampliado suas declarações públicas sobre temas que poderão ser centrais numa eventual campanha presidencial. E o combate à corrupção e à impunidade já se tornaram agendas naturais para o ex-juiz nesse início de movimentação política.

 Até o fim do mês passado, Moro vinha adotando cautela nessas manifestações, já que ainda tinha vigente seu contrato de consultoria com a Alvarez & Marsal. Com o fim do compromisso, o ex-ministro confirmou a decisão de se filiar ao Podemos. Oficialmente, ainda não anunciou a disposição de concorrer à Presidência, mas já vem organizando sua candidatura nesse sentido. Sua entrada na disputa, porém, vai depender de seu nome pegar tração nas pesquisas dentro do hoje congestionado campo da terceira via.

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