Moro defende prisão após condenação em segunda instância

Moro defende prisão após condenação em segunda instância

Em evento, juiz da Lava Jato disse ser 'lamentável' a possibilidade de condenados por órgão colegiado recorrerem em liberdade

O Estado de S. Paulo, O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2017 | 14h10


O juiz Sergio Moro defendeu neste sábado, 26, a possibilidade de um réu que foi condenado à prisão ser mantido preso após decisão de segunda instância, independentemente de recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) ou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Durante o 1º Congresso Brasileiro da Escola de Altos Estudos, em São Paulo, ele considerou que seria "lamentável' se réus já condenados passassem a poder recorrer em liberdade enquanto não é proferida uma decisão de instância superior.

Moro mandou prender na quarta-feira passada, 23, o empresário Márcio Bonilho e o operador Waldomiro de Oliveira, ambos condenados em segunda instância na Lava Jato. Foi a primeira vez que Moro determinou uma prisão com base em decisão do Supremo Tribunal Federal, de que condenado em segundo grau pode ter a pena executada.

Na véspera, porém, o ministro do STF Gilmar Mendes havia ordenado a soltura de um condenado na mesma situação, sinalizando mudança de seu entendimento sobre a questão.

No evento neste sábado, Moro ainda argumentou que em situações de corrupção sistêmica não é necessária a comprovação de recebimento de contrapartida de propina para que se caracterizem casos de corrupção. "Não existe propina grátis", afirmou.

O juiz considerou que o Brasil avançou nos últimos anos no combate a corrupção e em prol da redução da impunidade. "Muitas vezes pensamos que estamos fadados a viver em uma corrupção sistêmica, mas não existe dentro do regime democrático um desafio que não possa ser vencido", disse. "Avançamos e muito", comentou. "Não é possível retroceder", completou.

Também neste sábado, durante evento em Campos do Jordão, o procurador da República e membro da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal no Paraná, Deltan Dallagnol, disse que se o Brasil quiser seguir pelo caminho da impunidade em crimes, o melhor caminho é a revisão de prisão em segunda instância.

Nessa semana, Gilmar Mendes concedeu pedido de habeas corpus para o ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ) Rogério Onofre. Mas Onofre foi alvo de um novo mandado de prisão do juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, do Rio, na Operação Ponto Final - desdobramento da Lava Jato que cercou a cúpula do Transporte no Rio. O ex-presidente da Detro se entregou neste sábado. 

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