Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Moro cita artigo de professor de Harvard no Senado: ‘O incrível escândalo que encolheu’

Em audiência na CCJ, ministro da Justiça se defendeu usando texto do pesquisador Matthew Stephenson

Vinicius Passarelli, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2019 | 13h53
Atualizado 19 de junho de 2019 | 14h50

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, fez referência em mais de uma ocasião, durante a audiência na CCJ do Senado, ao artigo do professor de Harvard Matthew Stephenson intitulado “O incrível escândalo que encolheu? Reflexões adicionais sobre os vazamentos da Lava Jato” para justificar seu posicionamento de que não vê nada de grave no conteúdo das supostas mensagens. O ministro presta esclarecimentos nesta quarta-feira, 19, aos senadores em relação aos vazamentos (acompanhe a sessão em tempo real aqui).

No texto, escrito em inglês e publicado no blog “Global Corruption”, o professor afirma que mudou de ideia em relação à gravidade das acusações feitas pelo site The Intercept Brasil a partir do vazamento de supostas mensagens trocadas entre Moro, então juiz da Lava Jato, com procuradores do Ministério Público Federal, entre eles o comandante da força-tarefa em Curitiba, Delton Dallagnol.

Ao responder um questionamento do senador Humberto Costa (PT-BA), que havia dito que Moro não responde a nenhuma pergunta e que se esconde atrás da Lava Jato, o agora ministro da Justiça afirmou que está esperando revelações “bombásticas” pelo The Intercept, mas que até agora não as viu. “Desde domingo, fiquei esperando as grandes revelações bombásticas. É O incrível escândalo que encolheu, como diz um artigo que li. O site (The Intercept) divulga que o juiz interferiu, obstruiu um caso (envolvendo Fernando Henrique Cardoso) que não era meu. Nunca passou pelas minhas mãos. Como eu fiz alguma coisa? O site divulgou com sensacionalismo como se tivesse alguma obstrução e interferência. A Lava Jato atingiu vários partidos, não só o que estava no poder, tanto na direita quanto na esquerda”, afirmou Moro.

Ao analisar as reportagens publicadas pelo The Intercept nos EUA, Matthew Stephenson escreveu, no artigo, que chegou às seguintes conclusões: 

“Primeiro, achei que a evidência de extensas comunicações de texto entre o procurador principal e o juiz presidente eram (ou pelo menos deveriam ser) per se inadmissíveis. Usei uma linguagem muito forte para explicar isso, descrevendo o fato de que os dois estavam em contato regular por texto como “o cúmulo da impropriedade” e “uma violação chocante e indesculpável da ética judicial”, afirma o artigo.

“Segundo, porém, achei que as trocas de texto específicas relatadas pelo The Intercept – as que supostamente mostravam o coaching e a colaboração - eram bastante inócuas e não pareciam conter material muito problemático além do próprio fato de existirem as comunicações”, argumenta.

O artigo foi publicado no dia 17, depois de o The Intercept  ter divulgado reportagens com base nas supostas mensagens obtidas, segundo o veículo, de uma fonte anônima. No dia 18, ou seja, depois da publicação do artigo, o site divulgou mais uma parte do conteúdo obtido dos celulares hackeados, na qual o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é citado nos supostos diálogos.

Leia aqui a íntegra do texto em inglês

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