Moro chega à PF para depor; manifestantes pró e contra ex-ministro se reúnem no local

Moro chega à PF para depor; manifestantes pró e contra ex-ministro se reúnem no local

Ex-ministro da Justiça entrou pelos fundos da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba

Julio Cesar Lima, especial para o Estado

02 de maio de 2020 | 13h32
Atualizado 02 de maio de 2020 | 18h33

CURITIBA – O ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, chegou às 13 horas pelos portões dos fundos da sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (PR), para depor para a PF e para a Procuradoria Geral da República (PGR) sobre as denúncias feitas contra o presidente Jair Bolsonaro durante seu discurso de despedida do governo. O ex-juiz federal será assistido de um advogado.

Antes da chegada do ex-ministro, um grupo de dezenas de apoiadores do presidente ficou desde as 10 horas na frente da sede da PF. Eles diziam palavras de ordem contra Moro e a imprensa. “Com tantos crimes maiores, porque ele quis se voltar contra o presidente e sua família?”, gritavam do carro de som.

Uma das coordenadoras da manifestação, Paula Milani, se recusou a falar com a imprensa, assim como outros apoiadores de Bolsonaro.

Militantes tomavam o microfone e chamavam Moro de “Judas”, “rato”,  e chegaram a falar que “a biografia do Moro deveria ser jogada na privada”, entre outros xingamentos. “Porque não investigava quem tentou matar o presidente?”, gritavam.

Com Moro já no interior da sede, cobraram sua presença. “Não teve dignidade de vir dar oi para as duas únicas pessoas que estão aqui defendendo, pois todas outras estão com o presidente”, disse uma manifestante.

Cerca de cinco apoiadores de Moro levavam faixas de apoio. O consultor Marcos Silva disse que acreditava em Moro e não merecia esse tratamento. “Acreditamos na honestidade de Sérgio Moro, assim como ele fez na Lava Jato ele tentou fazer no Ministério da Justiça, mas chegou perto dos filhos do presidente”, disse.

O servidor público Alvaro Faria também estava presente e vestia uma camiseta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi condenado pela Operação Lava Jato. O manifestante fez críticas ao ex-juiz federal.  “Faço questão de estar aqui para ver Moro depondo, ele que vazou áudios ilegalmente para prejudicar Dilma e Lula, que inflamou uma manifestação que iria acontecer depois, merece responder por isso também”, comentou. Minutos depois, o apoiador de Lula precisou ser retirado do local.

Em outro momento, um cinegrafista da RIC teve seu equipamento atingido por uma manifestante, que foi contido pela Polícia Militar e levado para fora da área de imprensa. Após a tentativa de agressão, a PM precisou reforçar seu contingente em frente à sede da PF.

Manifestação

No final da tarde, os manifestantes bolsonaristas queimaram camisetas do ex-ministro. “O Sérgio morre hoje para esses patriotas brasileiros”, disse Paula Milani, uma das coordenadoras da mobilização.

Com um carro de som instalado na frente da sede da PF, as manifestações ocorriam em forma de tribuna livre, com espaço para todos fazerem suas críticas.

“Você não é nada, sua biografia não é nada. Você traiu a República de Curitiba. Vamos queimar todas suas camisas, não falaremos mais seu nome”, reclamaram. “Não passará, a mão de Deus vai cair sobre você e sua família”, disse outra manifestante.

Minoria presente no local, algumas pessoas demonstraram apoio a Moro. Na opinião do empresário Gustavo Henrique, de 44 anos, mesmo tendo votado em Jair Bolsonaro, “o presidente se perdeu pelo poder”. “Eu coloco a mão pelo delegado Maurício Valeixo, o presidente não deveria ter falado nada dele. O presidente pensava coisas boas: acabar com a corrupção, reeleição, mas se perdeu”, concluiu.

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