Morales promulga nova Constituição socialista da Bolívia

O presidente boliviano Evo Morales vai promulgar neste sábado, diante de dezenas de milhares de cidadãos, a nova Constituição socialista do empobrecido país andino, que dá mais poder ao líder indígena e consolida o controle estatal da economia. Espera-se que 700 convidados especiais, 2 mil policiais e 200 mil pessoas sejam testemunhas do ato histórico, com o qual o presidente tenta "refundar" a nação. A nova carta magna, a primeira aprovada em um referendo e a 17a nos 183 anos de história republicana na Bolívia, também permitirá autonomias regionais, vai proibir latifúndios, reforçar o controle público sobre as reservas de gás e dará a Morales a possibilidade de uma reeleição imediata. Um grupo de 50 mil pessoas já se agrupavam em El Alto à espera de Morales, que fará sua primeira aparição pública desde que, na terça-feira passada, se submeteu a uma cirurgia para corrigir um desvio nasal. As organizações sociais e sindicatos de trabalhadores rurais que apoiam o governo preparam uma grande concentração com desfiles e bailes folclóricos na cidade. De acordo com o líder indígena, a carta magna marca o início da transição de um Estado "neocolonial" a outro "plurinacional" que busca garantir a igualdade de direitos para todos os cidadãos. Ao mesmo tempo, ela põe a Bolívia em linha com mudanças socialistas já instauradas nas Constituições da Venezuela e do Equador. A nova Constituição entra em vigor duas semanas depois de ser aprovada em um referendo com 61,43 por cento dos votos.

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