Moraes diz que corregedor 'tem problema com Paulinho'

Presidente do Conselho de Ética da Câmara reage a críticas de que estaria adiando processo contra deputado

Andréia Sadi, do estadao.com.br

29 de maio de 2008 | 13h24

O novo presidente de Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, Sérgio Moraes (PTB-RS), disse nesta quinta-feira, 29, que está sendo pressionado no caso Paulinho da Força por conta de um "problema particular" do corregedor da Casa, Inocêncio Oliveira (PR-PE). "O Inocêncio tem um problema particular com o Paulinho e eu, como presidente, não posso seguir esse caminho", declarou em entrevista à rádio Eldorado. Moraes substitui Ricardo Izar, morto no início do mês, e foi indicado pelo líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO).   Na quarta-feira, Moraes disse que levará até 15 dias para nomear o relator do pedido de cassação do mandato do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), acusado de desvios no esquema envolvendo o BNDES, descoberto pela Operação Santa Tereza da Polícia Federal.   Veja também: Pedida a cassação de Paulinho, representação segue para o Conselho de Ética PSOL quer investigação de senador tucano Áudio: grampo da PF liga Paulinho ao caso BNDES Enquete: Você acredita que Paulinho será cassado? Entenda o esquema de desvio de verbas do banco estatal     O novo presidente atacou também a imprensa e disse que "não tem medo da opinião pública''. " Não entendo porque a imprensa acha muito quando eu peço até 15 dias para ver um processo e o judiciário fica dez, nove anos com um processo dentro da gaveta e ninguém critica", disse.   O corregedor da Câmara criticou o posicionamento do novo presidente do conselho, que é alvo de denúncias no Supremo Tribunal Federal (STF). "Acho um absurdo. Só pode ser inexperiência. Com o antecessor não acontecia isso", protestou. "Estou estarrecido." Ele citou o artigo do regulamento do Conselho de Ética que determina que seu presidente deve "instaurar imediatamente" o processo, depois de recebida a representação pela Mesa.     Moraes responde a três ações no Supremo Tribunal Federal (STF), mas negou que isso o deixe constrangido para presidir o colegiado que zela pelo cumprimento do Código de Ética da Câmara. Disse ter convicção de que será absolvido. "Na minha terra, a gente diz que cachorro que não tem pulga, ou teve ou vai ter. Defeitos, todos nós temos. Sou ético, sou firme e não me dobro."

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