Moradores querem vender terrenos para a Shell

Pelo menos 46 dos 66 proprietários de terrenos no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia, a 120 quilômetros de São Paulo, contaminado pela empresa Shell Química do Brasil entre as décadas de 70 e 80, querem vender seus lotes para a empresa. A decisão foi comunicada à Prefeitura de Paulínia, por meio de uma lista com o nome dos interessados.A lista é resultado do anúncio da Shell, confirmado ontem, de que a empresa iria negociar com os moradores a possível compra dos terrenos. Uma equipe da indústria se reunirá com proprietários na manhã do próximo sábado, em Paulínia, para discutir o assunto. Também no sábado, a Shell colocará uma equipe de médicos no local à disposição dos interessados em obter informações sobre os exames médicos da empresa e da Prefeitura.A empresa continua afirmando que não há casos de contaminação no bairro e refuta o relatório da Secretaria de Saúde que acusa contaminantes em 86% dos 181 moradores analisados. Para o toxicologista da empresa Flávio Zambrone, houve interpretação equivocada dos resultados dos exames. Mesmo assim, a indústria decidiu negociar os lotes.O morador Antônio Labello, há 33 anos no bairro, comenta que já pediu um levantamento sobre o valor de seu terreno. "Se nos oferecerem um preço justo, vendemos. Pelo menos que seja o suficiente para que possamos comprar uma propriedade similar em uma região sem poluição", alegou.Segundo o presidente da Associação dos Moradores do Recanto dos Pássaros, Paulo Souza, os terrenos valem entre R$ 100 mil e R$ 300 mil. A empresa reafirmou sua intenção de negociar os lotes, mas explicou que os procedimentos ainda serão definidos.

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