Moradores do Recanto dos Pássaros farão novos exames

Os moradores do bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia, serão submetidos a uma terceira rodada de exames médicos no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. A decisão foi tomada hoje à tarde em Brasília, em uma reunião da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara dos Deputados. O bairro foi contaminado por organoclorados produzidos pela indústria química nos anos 70 e 80. Na reunião ficou decidido ainda que os ex-funcionários também farão exames médicos e que a empresa irá comprar as chácaras dos proprietários interessados em vendê-las. O bairro, espremido entre indústrias, é formado por 66 terrenos residenciais, margeando o Rio Atibaia.Participaram do encontro de hoje os deputados integrantes da comissão, representantes da Shell, da Prefeitura de Paulínia, o presidente da Associação dos Moradores do Recantos dos Pássaros, Paulo Souza, e o deputado federal Luciano Zica (PT), representando a região de Campinas. Também estavam presentes representantes das duas empresas, Kraton e Basf, que ocupam o terreno onde estava instalada a Shell até o início da década passada. A nova rodada de exames foi indicada pela comissão e decidida em consenso pelos participantes, que também concordaram com os procedimentos para a compra dos terrenos. Na próxima semana, os moradores deverão assinar uma autorização para que o local seja avaliado por quatro corretoras. O preço será definido a partir da média de dois valores, descartadas as cotações mais baixa e mais alta, conforme ficou acertado na reunião. O prazo dos trâmites de venda dos terrenos foi reduzido de 90 para 30 dias, com auxílio da prefeitura, que se comprometeu a desburocratizar o encaminhamento dos documentos necessários para o negócio. As avaliações começam na próxima semana e, assim que o valor for definido, terão início as negociações individuais com cada proprietário.Shell descarta remover moradoresSegundo Zica, a Shell descartou o termo remoção dos moradores e definiu a compra dos lotes como decisão gerencial. A empresa se recusa a retirar as pessoas do bairro porque não considera o laudo da prefeitura. Os exames da prefeitura foram feitos simultaneamente aos da indústria, que divulgou relatório há dois meses, afirmando que não há casos de contaminação no bairro. Segundo o toxicologista da Shell, Flávio Zambrone, que teve seu laudo confirmado por uma equipe de 20 toxicologistas, as conclusões do relatório da prefeitura são equivocadas. Para resolver o impasse dos laudos foi definida a terceira rodada de exames.O acordo de hoje prevê ainda que se houver pessoas doentes entre os examinados, eles receberão tratamento adequado no próprio Einstein, tudo custeado pela Shell. A empresa se comprometeu a custear os exames de, aproximadamente, 840 ex-funcionários que trabalharam na unidade de Paulínia. O Sindicato dos Trabalhadores de Indústria Química irá providenciar a lista dos interessados e encaminhá-la à Shell, que viabilizará os exames, em local ainda não definido. "Pode ser no Einstein ou em outro laboratório decidido em consenso pelo sindicato e empresa", apontou Zica.O deputado acrescentou que a Comissão irá monitorar os procedimentos de descontaminação do bairro, que estão sendo acertados entre a Shell e a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). Atualmente, está sendo levantado um mapeamento detalhado da contaminação no local para a definição de medidas adequadas de recuperação, conforme a Cetesb.

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