Morador de rua tem trabalho e parentes por perto, diz pesquisa

Os moradores de rua brasileirostrabalham e têm parentes nas cidades onde usam vias públicas,praças, praias e viadutos para dormir e comer, mostrou umapesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social divulgada naterça-feira. De cada cem pessoas em situação de rua, 71 trabalhavam e 52tinham ao menos um parente na cidade onde viviam, mostrou apesquisa. O levantamento, o primeiro do tipo no país e que custou 1,5milhão de reais, segundo o ministério, incluiu 23 capitais e 48municípios com mais de 300 mil habitantes. Capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Recife --quefizeram pesquisas semelhantes recentemente-- não estão noestudo, que não contempla menores de idade. Dados de PortoAlegre também não foram incluídos na pesquisa em tempo, disse oministério. Quase 32 mil pessoas com 18 anos de idade ou mais foramidentificadas como moradores de rua nas cidades pesquisadas, oque equivale a 0,061 por cento da população desses locais,disse o ministério. A principal causa citada pelosentrevistados para viver nessa condição é o vício pelo álcoolou pelas drogas: 35,5 deles se viram nessa situação, segundo apesquisa. "Isso mostra que o perfil do morador de rua no Brasil não énecessariamente o do migrante que não tem para onde ir, daquelecontingente que sobrava depois de concluir uma obra, como erahá 40 anos", disse à Reuters o professor Fernando AltemeyerJr., da PUC-SP, que tem pesquisa sobre o assunto em São Paulo. "A pesquisa ajuda a mostrar que os problemas modernos, comoos vícios, trazem gente da própria cidade para as ruas... paramelhorar esse quadro são necessárias políticas públicas maisefetivas, e não deixar isso apenas nas mãos das igrejas e dasONGs", comentou ele, que também trabalha com grupos da IgrejaCatólica junto aos moradores de rua. O desemprego foi o segundo principal motivo pelo qual osentrevistados diziam viver na rua: são 30 por cento. Osconflitos familiares levaram 29 por cento dessas pessoas aviverem nas ruas, apontou a pesquisa. ATÉ R$80 POR SEMANA Entre os moradores de rua, 72 por cento afirmaramtrabalhar. O maior percentual, 28 por cento, coleta materiaisrecicláveis, mas também há moradores de rua que vivem dodinheiro que conseguem como flanelinhas, carregadores, naconstrução civil e no setor de limpeza. A renda dos moradores, na maioria dos casos, varia entre 20e 80 reais por semana, segundo a pesquisa. O levantamento revela ainda que de cada cem pessoas na rua,71 trabalham e 52 têm ao menos um parente na cidade onde vivem.Apenas 16 por cento dos desabrigados disse pedir esmolas parasobreviver. Quase 90 por cento dos moradores de rua não são atendidospor programas governamentais, como aposentadoria, Bolsa Famíliae o Benefício de Prestação Continuada (BPC). "Vamos adequar as nossas ações a essa realidade apresentadapela pesquisa, inclusive com a retirada das ruas daqueles emque é possível, e criar mecanismos de assistência para aquelesque não têm condições de sair das ruas", disse em nota aministra interina do Desenvolvimento Social, Arlete Sampaio. O governo diz já ter investido 8,2 milhões de reais emprojetos de inclusão produtiva para moradores de rua e afirmaque repassou 1,6 milhão de reais às cidades para atender a essapopulação e estruturar abrigos. Ainda de acordo com o estudo, 82 por cento dos moradores derua são homens e entre esses, 53 por cento estão entre 25 e 44anos. Dos ouvidos pelo levantamento, 70 por cento dormem na rua e22 por cento, em albergues. A pesquisa aponta também que 80 porcento dos moradores de rua fazem ao menos um refeição por dia. Trinta por cento dizem ter problemas de saúde, comohipertensão, distúrbio mental e Aids, e 19 por cento têm acessoa medicamentos, apontou a pesquisa.(Reportagem de Maurício Savarese)

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