Roberto Stuckert Filho/PR/Divulgação
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Monteiro afirma que não foi aos EUA falar da Operação Lava Jato

Segundo ministro, um dos objetivos da visita é transmitir uma mensagem de confiança no Brasil aos investidores internacionais

Cláudia Trevisan, Tânia Monteiro e Altamiro Silva Jr., Enviadas especiais e correspondente de O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2015 | 11h46

NOVA YORK - Se depender do ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, a Operação Lava Jato e as investigações de corrupção no Brasil estarão fora de sua agenda nos Estados Unidos. "Não vim aqui para falar disso", declarou na noite deste sábado em Nova York, poucas horas depois de chegar à cidade com a presidente Dilma Rousseff (PT).

Segundo Monteiro, um dos objetivos da visita é transmitir uma mensagem de confiança no Brasil aos investidores internacionais.

Nesta segunda-feira, 29, a presidente tem duas reuniões em seu hotel com representantes de grandes empresas americanas - uma com o setor produtivo e outra com o mercado financeiro. Entre os interlocutores estarão o ex-secretário do Tesouro americano Tim Geithner, o conselheiro do Citigroup, William Rhodes, e Larry Flink, da Blackrock, a maior gestora de recursos financeiros do mundo. Dilma também se encontrará com o ex-secretário de Estado Henry Kissinger. 

Em outro hotel, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, comandará um seminário sobre oportunidade de investimentos no programa de concessões brasileiro.

Segundo Monteiro, apesar das dificuldades "conjunturais", as perspectivas do Brasil são positivas. O ministro ressaltou que a recente desvalorização do real aumentou a atratividade dos investimentos no País, ao reduzir os custos em dólares. "Os ativos no Brasil estão baratos e os projetos, também."

Mesmo as investigações de corrupção podem ser apresentadas como um aspecto positivo, defendeu Monteiro. "O importante é que há um ambiente institucional maduro, em que as instituições funcionam e os Poderes são independentes."

A área comercial será uma das mais importantes da visita de Dilma, que se encontrará com o presidente Barack Obama na segunda e na terça-feira, 30. Os dois presidentes devem anunciar a intenção de dobrar o comércio bilateral em dez anos.

"É uma meta razoável e desafiadora", disse Monteiro, ressaltando o fato de que a maior parte das exportações para os Estados Unidos são de bens manufaturados, e não commodities. 

Para isso, devem ser acordadas  medidas de facilitação do fluxo de bens entre os dois países, que somou US$ 62 bilhões no ano passado, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento. O valor representa pouco mais de 10% do comércio dos Estados Unidos com a China - que atingiu US$ 590 bilhões em 2014. O fluxo com o México somou US$ 534 bilhões no mesmo período. As exportações brasileiras representam apenas 1,4% das compras totais dos Estados Unidos. 

De concreto, devem ser anunciados acordos de harmonização de padrões nos setores de máquinas e equipamentos, têxteis e luminárias, que podem facilitar as vendas entre os países. Haverá ainda avanços na integração de portais únicos, que permitem aos exportadores resolver todos os problemas burocráticos em um único "guichê", sem necessidade de interação com diferentes agências.

Dilma desembarcou em Nova York na noite de sábado sob o impacto da revelação da delação premiada do dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa. O empreiteiro disse ter feito contribuições de maneira ilegal à sua campanha de reeleição.

Na chegada a seu hotel, a presidente ignorou uma pergunta da imprensa sobre o assunto e se limitou a dizer que tinha uma expectativa "muito boa" para os encontros com Obama.

Entre os anúncios que o Brasil gostaria de ver está a abertura do mercado americano para as exportações nacionais de carne in natura. Ressaltando que isso está na esfera da ministra da Agricultura, Kátia Abreu, Monteiro disse que o governo tem uma "expectativa muito positiva" nessa área. 

Agenda. Dilma se reúne às 11h deste domingo, em Nova York, com 25 empresários brasileiros que possuem investimentos nos Estados Unidos. Entre eles, estará Carlos Fadigas, CEO da Braskem, empresa formada por uma associação entre a Odebrecht e a Petrobras, envolvidas no escândalo Lava Jato. O objetivo do encontro é discutir a presença de companhias brasileiras no mercado americano.

Também estarão representantes Wesley Batista, da JBS, Frederico Curado, da Embraer, André Gerdau Johannpeter, da Gerdau, Rubens Ometto, da Cosan, e José Luis Cutrale, da Cutrale. A presidente estará acompanhada dos ministros Nelson Barbosa, do Planejamento, e Armando Monteiro, do Desenvolvimento, e do presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), David Barioni Neto. 

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, não deverá participar da reunião. Internado na sexta-feira com quadro de embolia pulmonar leve, Levy embarcou para os Estados Unidos na noite de sábado, ignorando recomendação médica de não viajar. Sua chegada em Nova York estava prevista para as 12h.

Depois da reunião com empresário, a agenda da presidente está aberta. É possível que ela vá ao Museu de Arte Moderna (MoMA) à tarde e veja um espetáculo no Lincoln Center à noite.

Na segunda-feira, ela fecha um seminário sobre investimentos no setor de infraestrutura brasileiro. Cerca de 470  pessoas confirmaram presença no evento, que será comandado pelo ministro Nelson Barbosa.

Dos participantes, 81% são estrangeiros, segundo dados do Departamento de Promoção Comercial e de Investimentos do Itamaraty. O setor financeiro será o mais bem representado, com 39% do total. As áreas de interesse são: instrumentos de financiamento dos projetos e conhecimento das regras que regem investimentos no Brasil. Os projetos que atraem atenção são aeroportos, rodovias, ferrovias e portos. 

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