Reprodução/YouTube
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Patrocinadores rompem com Flow após declaração de Monark sobre nazismo

Apresentador do Flow Podcast defendeu legalidade de um partido nazista no Brasil; apoiadores do programa, como Flash Benefícios e Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, cancelaram patrocínio

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2022 | 14h41
Atualizado 08 de fevereiro de 2022 | 17h10

Após pressão do público, a empresa Estúdios Flow, responsável pelo Flow Podcast, perdeu ao menos cinco patrocinadores nesta terça-feira, 8, entre eles, a Flash Benefícios, empresa de cartões para empresas, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro e a loja de vestuário Insider Store. O rompimento dos contratos  foi atribuído a declarações do apresentador Monark, que defendeu a legalidade de existência de um partido nazista no Brasil durante episódio com os deputados federais Tabata Amaral (PSB-SP) e Kim Kataguiri (DEM-SP) na noite de ontem. Após a manifestação das empresas, os Estúdios Flow anunciaram a demissão do youtuber.

Em nota, a Flash Benefícios declarou que não concorda com os comentários e que eles são “inadmissíveis”: “Não há sociedade livre quando há intolerância ou busca de legitimação de discursos odiosos, nazistas e racistas, tecidos a partir de uma suposta liberdade de expressão. Reforçamos que todo e qualquer tipo de opinião jamais pode ferir, ignorar ou questionar a existência de alguém ou de um grupo da sociedade". 

Ao se posicionar, o anfitrião do podcast Monark argumentou que a organização formal de um partido nazista estaria amparada pela liberdade de expressão. A declaração foi rebatida por Tabata, que afirmou que essa liberdade termina quando se manifesta contra a vida de outras pessoas.

A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro era responsável por apoiar um braço do programa, o Flow Sport Club, que transmitia os jogos de futebol do Campeonato Carioca. Em nota, a entidade anunciou o rompimento e afirmou ser “contrária a qualquer tipo de preconceito”.

O Sportsbet.io, site de apostas esportivas, publicou na tarde da terça-feira que também irá romper contrato com o Flow Sport Club. "As afirmações vão totalmente contra os valores que a marca defende", disse a empresa, em nota.

Por meio de vídeo publicado em suas redes, a Insider Store, marca de vestuário também anunciou a suspensão "de qualquer tipo de parceria com o Podcast Flow". Na mensagem gravada por um dos co-fundadores da loja, Yuri Gricheno, a empresa também exige que Monark deixe o programa para rediscutir um eventual novo contrato. 

O movimento contrário às declarações de Monark nas redes sociais foi puxado pelo grupo Judeus pela Democracia, que, a exemplo do Sleeping Giants, passou a dirigir apelos diretos aos anunciantes e patrocinadores do progama. 

A Mondelez Brasil, detentora da marca BIS, se pronunciou logo no fim da manhã, repudiando a discriminação e o racismo, e esclarecendo que só financiou dois episódios do programa em 2021 e que já havia solicitado a exclusão da marca entre os patrocinadores do Flow. 

A marca esportiva Puma também se pronunciou de modo similar, argumentando que já solicitou a exclusão de seu nome da lista de patrocinadores.

Outra patrocinadora do Flow, a plataforma de acompanhantes Fatal Model disse repudiar toda e qualquer forma de discriminação, preconceito e violência e informou a suspensão imediata do patrocínio.

 

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