André Dusek|Estadão
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'Momento triste para o Rio', diz Maia sobre prisões de Cabral e Garotinho

Ex-governadores foram detidos em investigações distintas; para o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), prisão de peemedebista prejudica o atual governador, Pezão

Igor Gadelha e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2016 | 11h52

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), evitou comentar as prisões dos ex-governadores do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) e Anthony Garotinho. "É um momento triste para o Rio", limitou-se a dizer, ao ser questionado sobre o tema em entrevista à Rádio Estadão nesta quinta-feira, 17.

Cabral foi preso preventivamente no início da manhã desta quinta-feira em seu apartamento no bairro Leblon, zona sul do Rio. Sua prisão faz parte da Operação Calicute, uma nova fase da Operação Lava Jato. Ele é acusado de chefiar organização criminosa composta por dirigentes de empreiteiras e políticos de alto escalão durante seu governo.

Já Garotinho foi preso preventivamente na quarta-feira, 16, por policiais federais em um apartamento no bairro do Flamengo, também zona sul da capital fluminense, sob acusação de compra de votos. O ex-governador é secretário de Governo de Campos, cidade governada pela mulher dele, a ex-governadora do Rio Rosinha Garotinho (PR).

PMDB. O presidente nacional do PMDB, o senador Romero Jucá (RR), disse que a prisão do colega de partido não afeta a legenda. "O partido não se afeta. É algo restrito. Não vamos personalizar essa questão nem no partido e nem no Rio de Janeiro", afirmou.

O senador defendeu ainda que seja dado a Cabral todo o direito de defesa e que os fatos sejam investigados com profundidade. "Seria injusto antecipar qualquer julgamento", afirmou o peemedebista.

Pezão.  Para o deputado federal Miro Teixeira (Rede-RJ), a prisão de Cabral prejudica o atual governador do Estado, Luiz Fernando Pezão (PMDB), em termos de imagem pública, mas, ao mesmo tempo, pode ajudar a resolver a crise fiscal pela qual o Estado passa.

"Em termos de imagem pública, claro que prejudica", afirmou Miro ao ser questionado se a prisão de Cabral afetaria Pezão. O atual governador foi vice de Cabral e o substituiu em 2014, quando o peemedebista preso nesta quinta renunciou ao cargo. "Em termos de punição penal, depende do que ele praticou", acrescentou o deputado.

Para Miro, que está em seu 11º mandato parlamentar, "é claro que existe um sistema precioso" que deve ser investigado, "para ver se continua instalado" no governo Pezão. "Acho pouco provável que o Pezão tenha rompido esse sistema. É preciso também olhar os tentáculos para dentro da Assembleia Legislativa do Rio", disse.

O deputado avaliou, porém, que a prisão de Cabral ajuda a solucionar a crise fiscal do Rio na medida em que muda o "astral" da população. "A sensação de impunidade está desaparecendo, e isso é bom. (...) Aquela sensação das pessoas de que estão sendo roubadas e que só se pede sacrifício acaba criando um ambiente de desalento", disse.

Para Miro, a governabilidade do Estado pode ficar melhor a partir de agora. "A ação da Receita Federal, da Justiça, do Ministério Público muda o astral. (..) A crise no Rio decorre dos desvios, da perda de autoridade, de uma administração que perdeu os princípios", afirmou.

O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), contudo, avalia que a prisão vai tornar ainda mais difícil o debate sobre a crise financeira do Estado. "A prisão reforça a impressão de que o povo está pagando uma conta que não é sua, mas culpa dos desgovernos que temos tido no Rio de Janeiro", afirmou após participar de reunião no Ministério de Minas e Energia.

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