REUTERS/Pilar Olivares
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Molon vai acionar MPF para investigar se houve vazamento de operação no Rio; veja repercussão

Parlamentares se dividiram entre os que cobram explicações da PF por 'antecipação' da deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e os que não veem indício de vazamento

Gabriel Caldeira e Renato Vasconcelos, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2020 | 11h30

O líder do PSB na Câmara dos Deputados, Alessandro Molon (RJ), disse em sua conta no Twitter na manhã desta terça-feira (26) que recorrerá ao Ministério Público Federal (MPF) para que o órgão investigue o suposto vazamento da operação Placebo, deflagrada pela Polícia Federal, à deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). A operação foi desencadeada para apurar indícios de desvios de recursos públicos destinados à saúde por conta da pandemia do novo coronavírus, e que tem como um dos alvos o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC).

Em outra publicação, o deputado citou diretamente a entrevista de Zambelli à Rádio Gaúcha nessa segunda-feira, 25. “A gente já teve algumas operações da Polícia Federal que estavam ali, na agulha, para sair, mas não saíam. E a gente deve ter, nos próximos meses, o que a gente vai chamar, talvez, de ‘Covidão’ ou de… não sei qual vai ser o nome que eles vão dar… mas já tem alguns governadores sendo investigados pela Polícia Federal”, disse a parlamentar na ocasião.

"Ontem, à Rádio Gaúcha, Carla Zambelli anunciou que haveria operações da PF contra governadores. Hoje, a polícia está na casa de Witzel. Como uma deputada tem essas informações? Isso é mais uma prova da interferência. Era para isso que Bolsonaro queria trocar Valeixo?", escreveu Molon.

A deputada negou ter recebido informações privilegiadas da Polícia Federal. Usando suas redes sociais, Zambelli respondeu a uma postagem da deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) que afirmava que "as relações do governo Bolsonaro e a PF estão cada vez mais promíscuas".

"A deputada federal Carla Zambelli saber antecipadamente de operações da Polícia Federal “contra governadores” é grave. Como a deputada sabe? E por que ela sabe?", escreveu Petrone. Em resposta, Zambelli negou qualquer envolvimento e chamou a colega parlamentar de "defensora de maconheiro". "Se eu tivesse informações privilegiadas e relações promíscuas com a PF, a operação de hoje seria chamada de "Estrume" e não "Placebo". Está aí sua explicação, defensora de maconheiro."

Após a discussão entre as deputadas, os termos "Carla Zambelli", "Covidão" e "Estrume" ficaram entre os mais comentados do Twitter. Políticos aliados e opositores ao governo passaram a se posicionar sobre a suposta antecipação a Zambelli.

Um deles foi a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP). Em uma série de tuítes, Paschoal defendeu a deputada federal de seu partido, argumentando que o termo usado na entrevista ("covidão") já vinha sendo usado pelos apoiadores do presidente, não indicando necessariamente um vazamento de informações.

Entre os que cobraram explicações sobre a fala da deputada na entrevista foi Marcelo Freixo (PSOL-RJ). "O fato da deputada bolsonarista Carla Zambelli saber de uma operação sigilosa da PF contra um governador de oposição mostra que estamos diante de uma primeira experiência de polícia política em um governo autoritário e golpista. A PF não é guarda presidencial."

O deputado Rui Falcão (PT-SP) também cobrou explicações sobre o suposto vazamento de informações, considerando gravíssimo a antecipação. "Gravíssimo. Carla Zambelli, aliada de Bolsonaro, antecipou que haveria operação da PF contra governadores. Hoje, a Polícia amanheceu na residência oficial do governador do RJ, Wilson Witzel. Como a deputada sabia dessa informação?".

Quem saiu em defesa de Zambelli foi o Presidente Nacional do PTB e aliado recente do presidente da República, Roberto Jefferson. "Não há nada na fala da deputada Carla Zambelli que remeta ao anúncio antecipado de operação da PF. É uma fala genérica. Na verdade eu fui o primeiro a falar no escândalo do Covidão, há mais de um mês", escreveu.

Alvo da operação, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), divulgou uma nota na qual afirma que "a interferência anunciada pelo presidente da República está devidamente oficializada".

"Estranha-me e indigna-me sobremaneira o fato absolutamente claro de que deputados bolsonaristas tenham anunciado em redes sociais nos últimos dias uma operação da Polícia Federal direcionada a mim, o que demonstra limpidamente que houve vazamento, com a construção de uma narrativa que jamais se confirmará", disse Witzel.

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