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Modelo de transporte público gera exclusão social, diz estudo

Pesquisa realizada pelo Instituto de Desenvolvimento e Informação em Transporte (Itrans) revelou que 45% da população enfrenta dificuldades em se locomover utilizando o sistema de transporte coletivo. De acordo com o estudo, é baixo o número médio de deslocamento da população pobre. O alto valor das tarifas e falta de políticas públicas são as principais causas do problema. Essas condições se colocam como obstáculos à superação da pobreza e da exclusão social.O estudo, intitulado Mobilidade e Pobreza, foi realizado em 2003 e 2004 nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife.O coordenador do Itrans, Maurício Cadaval, aponta como principal causa do problema o alto valor das tarifas que são praticadas que, segundo ele, é provocado principalmente pelo preço do óleo diesel e dos impostos que incidem sobre as tarifas de ônibus. Como solução ele sugere o subsídio para compensar o valor do óleo, ou a diminuição dos impostos. Segundo ele, os estudos mostram que esse é um caminho viável para reduzir as tarifas em até 50%.Os altos índices de desemprego constatados na população de baixa renda geram outro problema grave, disse Cadaval. De acordo com ele, essa parcela da população, que precisa procurar emprego, fica sem alternativa. "Como sair de casa sem renda e com as tarifas tão elevadas?", questiona. Cadaval sugere a revisão das políticas públicas para o transporte de pessoas carentes. Segundo ele, o vale-transporte, inicialmente criado para atender a essa parcela da população, não é mais um benefício eficiente. Segundo ele o vale-transporte não chega para quem realmente precisa, que são as pessoas que não têm emprego formal. "No passado, quando o vale-transporte foi criado, o emprego informal era pequeno, mas hoje é muito grande", diz. O mercado informal de vales-transporte, segundo Cadaval, é provocado pela má distribuição do benefício. "Uma parte das pessoas que recebem vale-transporte não utilizam o transporte coletivo. Eles têm carro e vendem para intermediários por um preço mais baixo, que por sua vez revendem para a população de baixa renda. Ou seja, é muita gente ganhando em cima do pobre", denuncia.

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