Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Modelo de caravanas já é questionado no PT

Lula vai percorrer, a partir desta quinta-feira, 17, 9 Estados durante 20 dias; partido enfrenta dificuldade de logística e organização

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

17 Agosto 2017 | 05h00

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa nesta quinta-feira, 17, em Salvador, uma caravana que vai percorrer 25 cidades dos nove Estados nordestinos durante 20 dias. Os objetivos são recuperar o legado de 13 anos de administrações petistas, reforçar o prestígio de Lula na região, fazer o enfrentamento ao governo Michel Temer, criar uma espécie de blindagem popular à possibilidade de o petista ser proibido de disputar a Presidência em 2018 e iniciar a mobilização da militância petista rumo às disputas do ano que vem. 

A viagem, espécie de reedição das caravanas da cidadania feitas por Lula entre 1993 e 2001, antes de chegar ao governo, será um teste para outros eventos semelhantes. O PT prevê pelo menos outras três caravanas até o fim deste ano, mas as dificuldades logísticas e de organização fizeram alguns dirigentes do partido questionar o formato. Alguns deles defendem trajetos menores. Ao final da caravana, a cúpula partidária e a equipe de Lula vão fazer uma avaliação política da iniciativa.

A assessoria do PT disse que as próximas viagens, pelas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, estão confirmadas. Nos trajetos, que serão feitos quase todos de ônibus, Lula vai participar de reuniões com militantes e movimentos sociais, receber homenagens como títulos de doutor honoris causa e cidadão honorário, visitar realizações de seus governos e apontar supostos erros da gestão Temer.

A agenda começa com o lançamento do livro Comentários a Uma Sentença Anunciada, que critica a condenação de Lula a 9 anos e 6 meses de prisão pelo juiz federal Sérgio Moro. Havia a previsão de que Lula participasse do lançamento do livro em ao menos outras três capitais, mas os eventos devem ser cancelados. Lula não quer misturar sua defesa judicial com a viagem. 

No caminho o ex-presidente vai se encontrar com políticos de partidos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff, como o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Dilma não deve participar da caravana. 

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