Imagem Dora Kramer
Colunista
Dora Kramer
Conteúdo Exclusivo para Assinante

ANÁLISE: Mocinhos bandidos

PT negociou na base do mais descarado fisiologismo com o segundo escalão do PMDB aquela que seria a reforma ministerial

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2015 | 02h02

Em compasso de desapreço ao mandato conferido há menos de um ano, a presidente Dilma Rousseff toma decisões que a aproximam, e ao seu partido, do cadafalso.

É de se perguntar aonde a presidente quer chegar com o caminho escolhido por ela para superar as crises (econômica, moral e de gestão) que assolam o Brasil e ameaçam o seu mandato.

Instada a "zerar" o governo, reorganizar suas tropas e sinalizar à sociedade condições de boa governança pelos próximos pouco mais de três anos, a presidente resolveu fazer um jogo de suposta hostilidade à cúpula do PMDB. Negociou na base do mais descarado fisiologismo com o segundo (terceiro?) escalão do partido aquela que seria a reforma ministerial destinada a fazê-la recuperar prestígio e, por incrível que pareça, acredita que possa dar certo.

Em favor de Dilma, diga-se: não está sozinha nessa avaliação equivocada. No dia seguinte à oferta de cinco ministérios feita diretamente à bancada peemedebista na Câmara, alegadamente à revelia dos caciques (o vice-presidente, Michel Temer, os presidentes da Câmara e do Senado) deputados do PT comemoravam o sucesso da empreitada, alegando que a manutenção de 26 vetos presidenciais no Congresso era o sinal definitivo da virada da maré.

Para esses autores, o fato de o governo ter votos suficientes para confirmar os vetos significa necessariamente que terá votos para assegurar um veto ao impeachment. Como políticos não são ingênuos, não são burros nem doidos, mas são excelentes fingidores, a "compra" dessa versão cor-de-rosa fica por conta da falta de discernimento do freguês. Ou freguesa.

Sim, porque é nessa condição que a presidente se coloca ao perder uma atrás da outra a cada lance feito para manipular aquele que já foi seu maior parceiro no governo e hoje é o maior partido no exercício da oposição no País. Na posse de ministérios e sem a menor intenção de assegurar a posse de votos ao governo.

De amadores que se consideraram mais espertos que a esperteza dos verdadeiros profissionais, arquitetos da transição, tutores da transição democrática, ao impedir o retrocesso ao autoritarismo desde o início pretendido pelo PT. A volúpia dos petistas permitiu ao PMDB um resgate da imagem de prócer da democracia. Condição perdida anos atrás. Mas, diante do que se transformou o PT não há bandido que não possa fazer pose de mocinho

Tudo o que sabemos sobre:
PTDilma Rousseffreforma ministerial

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.