Mobilização contra Lula não é 'golpismo', diz brasilianista

Kenneth Maxwell diz não enxergar grande mobilização no País contra o presidente.

BBC Brasil, BBC

03 de agosto de 2007 | 20h09

O historiador britânico Kenneth Maxwell afirma que a mobilização de setores da classe média brasileira contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é "golpismo", mas sim algo comum em uma "sociedade civil forte"."Devemos lembrar que houve um movimento muito forte contra, por exemplo, outros presidentes", disse o diretor do Programa de Estudos Brasileiros do Centro David Rockefeller de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. "O problema é a capacidade do governo de reagir com competência a uma situação de crise em um setor que, em última análise, é responsabilidade dele", acrescentou o brasilianista, se referindo aos problemas no setor aéreo.Maxwell, porém, diz que não vê uma "grande mobilização no país em geral" contra o presidente Lula. "Qualquer grupo pode fazer um protesto. E é claro que há uma desilusão muito grande, particularmente em São Paulo", disse.Leia a entrevista de Kenneth Maxwell à BBC Brasil: É um pouco curioso porque, em última análise, há críticas ao governo devido à sua falta de ação na crise aérea, e só isso. É claro que há uma certa reação contra Lula, seu modo de ser ou de falar, particularmente por parte da classe média no sul do país. Não há nada de novo nisso. Eu acho que o Brasil não vai seguir o caminho venezuelano, mas muito disso é uma coisa boa, é uma coisa de uma sociedade civil forte, que é uma realidade brasileira. Qualquer governo tem que confrontar essa situação. Mas isso não é novo. De uns 20 anos para cá, surgiram vários movimentos fortes na sociedade civil brasileira, da classe média em geral. Devo lembrar que muitos desses movimentos são de fato da classe média, inclusive muitos de pessoas dentro do partido do Lula. Devemos lembrar que houve um movimento muito forte contra, por exemplo, outros presidentes. E claro que eles não são pessoas que vêm do movimento sindical, como Lula, mas houve uma forte contestação ao presidente Sarney, por exemplo, e ao presidente Fernando Henrique Cardoso, em vários momentos de seus mandatos. E isso é parte da vida de uma democracia.Eu acho que isso não é nenhuma coisa de golpismo. O problema é a capacidade do governo de reagir com competência a uma situação de crise em um setor que, em última análise, é responsabilidade dele. Isso depende um pouco da possibilidade de o governo retomar a iniciativa em alguns setores. Mas é claro que há uma reação forte em vários setores da classe média contra o governo Lula ou contra ele, pessoalmente. Mas eu não vi, além disso, grande mobilização no país em geral nesse sentido. E não é necessariamente uma coisa ruim.Qualquer grupo pode organizar, fazer um protesto. E é claro que há uma desilusão muito grande, particularmente em São Paulo, depois deste desastre, com a capacidade do governo, em geral, de reagir ou ao menos dar atenção a esta questão.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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