MLST ocupa fazenda no Triângulo Mineiro durante carnaval

Integrantes do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) ocuparam no início da madrugada de terça-feira a fazenda Barreiro, no município de Prata, no Triângulo Mineiro. As famílias sem-terra deixaram o acampamento montado na fazenda Rio das Pedras, também em Prata, ocupada desde o final de novembro do ano passado. A Justiça havia determinado a desocupação da área e o prazo se encerrava nesta quarta-feira. Os militantes do MLST então decidiram se retirar da propriedade e invadir outra durante o feriado de carnaval. "É a melhor época, é mais tranqüilo", observou Ismael Costa, principal líder do movimento na região e integrante da coordenação nacional do MLST.Os sem-terra afirmam que 190 famílias se deslocaram para o imóvel, de aproximadamente 1,2 mil hectares, segundo a Polícia Militar. A PM esteve na tarde de terça no local para registrar o boletim de ocorrência, mas só contabilizou 20 adultos, dois adolescentes e três crianças. O dono da fazenda - identificado como João Luiz de Melo - acompanhou os policiais e disse que na propriedade há 800 cabeças de gado leiteiro e de corte. Os sem-terra, por sua vez, alegam que a área é improdutiva. "Está totalmente abandonada, coberta de mato. Entendemos que é uma área que tem todas as condições de ser destinada para a reforma agrária", afirmou Costa.A intenção, segundo ele, é também pressionar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a realizar assentamentos na região. Em novembro passado, além da Rio das Pedras, cerca de 200 sem-terra ocuparam a Fazenda Douradinho, localizada às margens da BR-497, entre as cidades de Uberlândia e Prata. O MLST mantém pelo menos quatro acampamentos em fazendas da região e seus líderes reclamam da demora do Incra em estabelecer um calendário de vistorias. A principal reivindicação é que o órgão adquira para fins de assentamento a fazenda Guanabara, localizada no mesmo município, cujo proprietário teria interesse em vendê-la. De acordo com o movimento, existem atualmente 750 famílias acampadas e 1.373 assentadas no Triângulo Mineiro. "No ano de 2006 não houve nenhuma vistoria", reclamou Costa. O Estado não conseguiu contato nesta quarta na Superintendência do Incra em Belo Horizonte. Os telefones na sede do instituto não atendiam. Mas a mediadora de conflitos do órgão, Moema de Fátima Sales Rocha, rebateu as declarações do líder do MLST. "Foi o grupo que mais foi contemplado no ano passado. Foram quase 400 famílias assentadas no Triângulo". O dono da fazenda Barreiro não foi localizado.

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