MLST mantém servidores e repórteres em cárcere privado

Sem-terra gritaram palavras de ordem contra a imprensa; profissionais são libertados após a chegada da polícia

Evandro Fadel, do Estadão,

22 de novembro de 2007 | 17h00

Um grupo de integrantes do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) manteve dois oficiais de Justiça e três jornalistas em cárcere privado, por cerca de 40 minutos, na manhã desta quinta-feira, 22, na Fazenda Bom Sucesso, em Cascavel, no oeste do Paraná. Os sem-terra estavam acampados em frente à propriedade, às margens da BR-369. No entanto, invadiram a fazenda para realizar plantio. Os oficiais foram comunicá-los sobre o mandado de reintegração de posse e acabaram impedidos de sair. Somente foram liberados quando uma equipe de policiais chegava ao local para realizar o resgate. De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), havia 238 famílias acampadas. O instituto negociava a compra da fazenda, mas, na última segunda-feira, os proprietários informaram que não têm mais interesse em vendê-la. O oficial de Justiça Luís Carlos Barros disse que ele e seu colega Sérgio Ramos realizaram a leitura do documento que dá prazo de cinco dias para os sem-terra liberarem a propriedade. Depois, decidiram fazer a vistoria na área de plantio. "Quando fomos sair, o portão estava fechado e eles disseram que não deixariam ninguém sair, pois eles mandavam naquele local", relatou Barros. Com os oficiais estavam o repórter da Rádio CBN em Cascavel Jonas Sotter, a repórter da emissora de televisão local CATVE Iane Santos Cruz e o cinegrafista da mesma emissora Alessandro Rocha. Sotter conseguiu repassar para a redação o que estava acontecendo, por meio do telefone celular, enquanto os oficiais entraram em contato com a juíza da 2.ª Vara Civil, Sandra Bittencourt, e com a Polícia Militar. Segundo Barros, quando os sem-terra perceberam que a polícia chegava, abriram o portão e deixaram que eles saíssem, como se nada tivesse acontecido. Sotter disse que, durante os cerca de 40 minutos em que ficaram retidos, eles ouviram muitas palavras de ordem contra a imprensa, acusada pelo MLST de marginalizá-los. Os oficiais de Justiça fizeram um relato por escrito para a juíza. Em entrevista à Rádio Colméia, de Cascavel, um dos coordenadores do MLST na região oeste, Joaquim Ribeiro, afirmou que tudo não passou de um "mal-entendido". Segundo ele, os sem-terra não foram avisados previamente de que os oficiais iriam até o acampamento, além de eles não estarem acompanhados por policiais militares. "Chegam aqui de repente, ninguém sabe o que está acontecendo, vai que acontece outra tragédia como a da Syngenta", disse.

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