MLST invade fazenda em Minas para pressionar Incra

Integrantes do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) invadiram na madrugada de quinta-feira a fazenda Rio das Pedras, no município de Prata, região do Triângulo Mineiro. De acordo com ocorrência da Polícia Militar, os sem-terra disseram que a ocupação tem por objetivo pressionar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a adquirir, para fins de assentamento, a fazenda Guanabara, localizada no mesmo município, cujo proprietário teria interesse em vendê-la. A PM disse que cerca de 60 pessoas permaneciam na fazenda invadida. Já o MLST afirmou que a ocupação envolveu aproximadamente 350 integrantes. Foi a segunda invasão realizada pelo movimento no Triângulo. Na madrugada do último sábado, aproximadamente 200 integrantes do MLST ocuparam a Fazenda Douradinho, localizada às margens da BR-497, entre as cidades de Uberlândia e Prata. Conforme a PM, após invadir a Rio das Pedras, os sem-terra proibiram a entrada de veículos e pessoas que faziam uso da estrada vicinal no interior da propriedade, que serve de acesso a outras fazendas da região. O trânsito só foi liberado após a chegada dos policiais militares. No primeiro dia de invasão, os sem-terra montaram 36 barracos na propriedade. A Superintendência do Incra em Minas informou que as fazendas Rio das Pedras e Guanabara não foram alvos de vistoria. Mas o instituto já recebeu informações preliminares dando conta de que os imóveis são produtivos. O próprio líder do MLST na região confirma a produtividade das fazendas alvos do movimento. "A maior parte cria gado. Na Rio das Pedras tem uma parte que é soja", disse Ismael Costa, um dos integrantes da coordenação nacional do movimento. De acordo com o MLST, existem atualmente 600 famílias acampadas na região de Uberlândia e 1.373 famílias assentadas no Triângulo Mineiro. Segundo Costa, a desapropriação ou a compra de áreas reivindicadas pelo MLST poderá resolver o problema dos acampados. "Foi a demora do Incra em fazer essas vistorias que nos levou a retomar as ocupações. São famílias que estão acampadas há bastante tempo, na beira da estrada, uma vez que o órgão responsável não estava tomando as providências devidas". A PM não soube informar o nome do proprietário da fazenda invadida.

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