Missionária americana denuncia ameaças de morte no Pará

A missionária norte-americana Dorothy Stang, de 73 anos, 38 deles dedicados à luta pela reforma agrária e contra a devastação da Amazônia, estaria marcada para morrer em Anapu, no Sudoeste do Pará, onde mora nos últimos dez anos. Além dela, outras lideranças de movimentos sociais e ativistas dos direitos humanos se dizem ameaçadas de morte, como o presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais do município, Gabriel Domingos do Nascimento.As ameaças seriam de um grupo de fazendeiros e madeireiros de Anapu descontentes com o trabalho da religiosa em favor da implantação de um projeto inédito de desenvolvimento sustentável no Estado, dentro de uma área de 140 mil hectares da União. Para liberar a área para as 600 famílias incluídas no projeto, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) enfrenta forte resistência de madeireiros interessados em derrubar a floresta para a retirada de espécies como mogno, cedro e jatobá. Nesta terça-feira, durante reunião na sede do Ministério Público Federal em Belém, Dorothy fez um relato da situação em Anapu, pedindo a ajuda do superintendente da Polícia Federal, José Sales, e do procurador da República, Felício Pontes Júnior. "Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar", disse a freira.

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